Enquanto aguarda uma janela para fazer o IPO, a empresa de saneamento Aegea reforçou sua estrutura de capital com um aporte de R$ 424 milhões dos acionistas em março, o que dá fôlego para a companhia disputar novas concessões e reduzir um pouco a alavancagem financeira.

A Equipav, o fundo soberano de Cingapura (GIC) e a Itaúsa subscreveram novas ações ordinárias na mesma proporção de sua participação acionária, de 70%, 20% e 10%, respectivamente. “O aumento de capital é parte da estratégia dos acionistas de suportar o crescimento da empresa”, diz André Pires, CFO da Aegea.

A companhia também tem buscado melhorar o perfil do endividamento. A empresa concluiu no mês passado a contratação de um empréstimo sindicalizado de US$ 600 milhões com bancos nacionais e internacionais, recursos que foram distribuídos por meio de um “blue loan” – que envolve crédito para o uso sustentável de recursos hídricos – e debêntures sustentáveis. A Aegea ainda emitiu, através do consórcio Parsan, R$ 3,2 bilhões em debêntures de cinco anos para refinanciar a dívida do mesmo valor que vencia no curto prazo.

Com isso, a companhia alongou o prazo médio da dívida para 7,5 anos e espera reduzir o patamar de alavancagem financeira de 4,3 vezes, no fim de dezembro, para o nível de 3,7 vezes que tinha no terceiro trimestre, por meio de crescimento da geração de caixa. “Tivemos um aumento da alavancagem no fim do ano por conta do pagamento da última parcela da outorga de R$ 3,8 bilhões da Águas do Rio”, diz o CFO, referindo-se à concessão de saneamento no Estado do Rio de Janeiro.

Para este ano, está previsto o pagamento de R$ 250 milhões referente à outorga da concessão de serviços de água e esgoto do Piauí, que a Aegea deve assumir a operação neste ano. O restante do pagamento da outorga, de R$ 500 milhões, será realizado em 20 anos.

A companhia ainda pretende manter o capex na ordem de R$ 5 bilhões, próximo ao patamar de R$ 5,4 bilhões do ano passado. A Aegea está avaliando a participação nos leilões de concessão dos serviços de água e esgoto do Pará, Pernambuco e Rondônia, previstos para este ano, que devem demandar cerca de R$ 42,5 bilhões em investimentos, e estuda entrar no leilão de duas Parcerias Público-Privadas de esgoto no Espírito Santo.

“Sempre avaliamos essas alternativas de crescimento, principalmente a participação em leilões em regiões onde já operamos. Mas o retorno desses ativos tem que fazer sentido”, diz.

A Aegea é uma das maiores empresas de saneamento do país. A empresa opera em 766 cidades de 15 Estados e atende 33 milhões de pessoas. Segundo fontes de mercado, a companhia tinha voltado a conversar com bancos sobre a possibilidade de um IPO no médio prazo, antes da nova turbulência global advinda da guerra comercial americana.

Pires afirma que, diante do volume de investimento necessário para .. leia mais em Pipeline 09/04/2025