Aleve vende lawtech Cria.AI para veterana de software jurídico
As lawtechs, ou legaltechs, são a bola da vez no venture capital. Startups que buscam facilitar ou automatizar a parte mais burocrática da rotina de um escritório de advocacia se multiplicaram nos últimos anos. Foi esse aumento de demanda por parte dos advogados e de investidores que fez a Aleve, venture builder do mundo jurídico, investir em 2023 na Cria.AI – e que, agora, está sendo vendida para a Preâmbulo Tech.
Longe de ser uma novata, a Preâmbulo foi fundada em 1988 focada no B2B. A criadora do software de automação e gestão de escritórios de advocacia CPJ-3C deve aportar um total de R$ 10 milhões na Cria.AI ao longo do primeiro semestre e ficar com 51% do capital. Desde que recebeu um aporte da KPTL em 2021, essa é a décima startup que a Preâmbulo adquire.
A transação marca uma rara saída de venture builder de uma empresa brasileira nos últimos anos. Com ela, a Cria.AI passa a integrar os sistemas presentes em 70% dos maiores escritórios do país, com mais de 5 mil clientes corporativos e 14 milhões de processos ativos – ante uma estimativa de 84 milhões de ações em curso no país todo.
Fundada pelos engenheiros Caio Rossetto, CEO, e Vittório Girardi, CTO, a Cria.AI automatiza a redação de petições, inicialmente com o objetivo de aumentar a produtividade de advogados em escritórios de pequeno e médio porte – foco no B2C, portanto –, especialmente nos casos de contencioso de massa, com petições e defesas repetitivas.
“Começamos com o objetivo de ajudar advogados sobrecarregados de escritórios pequenos e médios, como a mãe do Caio, que trabalhava até tarde e nos fins de semana. Hoje, a IA consegue ler mil páginas de um processo e gerar uma contestação quase pronta, sem substituir o papel crítico do advogado”, conta Girardi. “A chegada da Preâmbulo reforça nossa capacidade de escalar soluções e de atender o mercado jurídico com ainda mais robustez e inovação”, acrescenta Rossetto.
Com a dor e a delícia de ser uma empresa com 300 colaboradores, a Preâmbulo vê nas aquisições um ganho de agilidade. “Quando você se torna desse tamanho, no mercado de SaaS, você não consegue responder pontualmente às demandas de cada cliente, mas uma startup pode fazer isso”, define o CEO Kazan Costa.
Para a CEO da Aleve, Priscila Spadinger, a venda consolida a tese da venture builder de estruturar negócios jurídicos do zero até a saída ao mercado. “Nosso modelo não é de aporte financeiro, mas de construção. Entramos com squads, governança, compliance e apoio estratégico aos fundadores. Quando a startup chega a um valuation de R$ 20 milhões, buscamos a venda”, explicou. A Aleve mantém hoje 13 startups no portfólio e prevê alcançar R$ 200 milhões em valuation consolidado em 2025.
Segundo a executiva, o movimento também simboliza a retomada gradual do capital de risco após um período de retração. “Foram anos gelados para o venture capital, mas a partir de 2025 o cenário começa a mudar. A venda da Cria.AI mostra que o mercado jurídico pode gerar liquidez e atrair investimento estratégico”, disse… leia mais em Pipeline 20/10/2025

