O Brasil tem quase 73 milhões de pessoas em situação de inadimplência, o que afeta diretamente o acesso ao crédito e até moradia. A proposta da Alpop, fintech imobiliária de crédito para habitação popular, é viabilizar o acesso para aqueles que possuem o nome negativado.

A tese acaba de receber um aporte de R$ 20 milhões da Smart Money Venture, do ex-Movile Fabio Póvoa, com participação do grupo Lello, Caju Capital Social e do Lucas Vargas, ex-CEO do grupo Zap.

Em 2022, a empresa já tinha captado R$ 7 milhões em uma rodada seed com esse grupo de investidores depois de pivotar. A Alpop foi criada em 2017, com investimento de R$ 4 milhões, como uma imobiliária, com portfólio próprio de imóveis. “A gente queria ser o Quinto Andar das camadas mais populares, focando em negativados e pessoas com renda informal”, conta Caio Belazzi, CEO da Alpop.

Mas levou pouco tempo para o empreendedor notar a alta pulverização do mercado imobiliário e decidir deixar de ser mais um concorrente para se tornar um parceiro de outras imobiliárias, mantendo o público-alvo.

Hoje, a startup funciona como um meio de campo entre o cliente final, aquele que tem nome negativado mas precisa alugar uma residência, e o proprietário do imóvel, que pede garantia em caso de inadimplência. Dessa forma, as imobiliárias ficam com as questões burocráticas de gestão do contrato de locação e vistorias e a Alpop cobra um percentual de 5% a 12% do contrato – que, de outra forma, acabaria não acontecendo.

Cientista da computação por formação, Belazzi criou um algoritmo que, a partir do CPF do potencial inquilino, checa 22 parâmetros, como análise de risco e avaliação da capacidade de pagamento, para dispensar fiador ou caução. Mas, dado o público-alvo, há nuances em relação à análise tradicional de proptechs e imobiliárias: uma conta de luz atrasada por exemplo, tem um peso menor do que mudanças frequentes no número do celular da pessoa avaliada.

A indústria de crédito, no geral, exige que a pessoa não comprometa mais que 30% da sua renda com aluguel. Mas quem consegue alcançar esse critério na baixa renda? Então analisamos as coisas de uma maneira mais aderente à realidade de quem busca nosso serviço“, diz Belazzi.

Além dos R$ 20 milhões da rodada com investidores institucionais, a Alpop já havia captado R$ 1,2 milhão na plataforma de crowdfunding Captable no início de agosto, onde os investidores são principalmente pessoas físicas.

A soma vai ajudar a Alpop a criar a vertical de crédito para proprietários que precisam reformar o imóvel antes da locação… leia mais em Pipeline 12/09/2024