Desde julho à frente do grupo holandês de tecnologia Prosus, Fabrício Bloisi busca uma nova Tencent, gigante chinesa que se transformou na joia da coroa da holding. Ao impulsionar outras investidas, o ex-CEO do iFood quer duplicar o valuation do conglomerado em até quatro anos. Se conseguir, ele pode ganhar um bônus de US$ 100 milhões em ações, adição considerável ao salário anual de US$ 750 mil no novo cargo.

As condições para atingir os US$ 100 milhões de bônus não são fáceis. Mesmo que consiga dobrar o valuation da Prosus dos atuais US$ 84 bilhões para US$ 168 bilhões até meados de 2028, ainda terá o trabalho de tentar mantê-lo nessa faixa por ao menos um ano. Além disso, o retorno para os investidores do grupo deve ser superior ao praticado por companhias afins no mercado, como Amazon, Meta, Uber e SoftBank. O acordo foi revelado pelo jornal britânico Financial Times.

Bloisi diz que vai dar conta do desafio. E tece críticas à gestão anterior da Prosus, que, segundo ele, não era “inovadora o suficiente” ao aumentar o desempenho da holding. “Eu não acho que a Prosus teve uma performance boa nos últimos cinco anos. Talvez seja por isso que mudaram o CEO”, declarou ao FT. Antes dele, o grupo era comandado por Ervin Tu, que atuava como interino desde setembro de 2023, e, antes dele, Bob van Dijk, fora após três anos à frente do grupo.

Para duplicar o valuation e cumprir a missão (e levar o generoso bônus), o novo CEO quer aumentar a eficiência da Prosus por meio de uma reformulação na cultura corporativa e de pagamentos da holding holandesa — isso inclui instituir uma política de “quanto maior o risco, maior a recompensa”. Depois, ele quer procurar jeitos de impulsionar o rendimento do portfólio da Prosus, que inclui negócios por todo o mundo — como as brasileiras iFood, Creditas, Kovi e Azos.

A Tencent, dona do superapp WeChat e do estúdio RiotGames (do game Fortnite), é o principal case de sucesso da Prosus. Em 2001, a holding, sob a controladora sul-africana Naspers, investiu US$ 32 milhões na companhia de games da China — hoje, essa participação equivale a US$ 115 bilhões, ou 26%, tornando o grupo holandês no maior acionista da chinesa, avaliada em meio trilhão de dólares.

A Prosus deve seguir apostando na Tencent, diz Bloisi. A participação do grupo na gigante chinesa pode ajudar a atingir a meta de valor de mercado do grupo, já que as ações da companhia no mercado da China experimentam um rali, com alta de 44% nos papéis em 2024.

Por fim, o histórico no iFood, onde Bloisi permaneceu como CEO de 2019 a 2024, pode ajudar a Prosus a duplicar o valuation. Investidores e analistas consultados pelo Financial Times dizem que o brasileiro pode expandir o negócio da Prosus por meio de aquisições no mercado de internet, incluindo no ramo de delivery de alimentos, em que a holandesa possui investimentos em nomes como as alemãs Flink e DeliveryHero… leia mais em Pipeline 29/10/2024