Depois de zerar a posição em shopping centers no Brasil, a Brookfield está vendo oportunidades de ampliar a alocação em imóveis residenciais voltados para renda e em galpões logísticos no país, afirma Roberto Perroni, CEO da Brookfield no Brasil, que tem R$ 205 bilhões sob gestão em ativos no país, sendo R$ 27 bilhões no setor imobiliário.

A Brookfield concluiu, recentemente, a venda dos shoppings Higienópolis e Paulista por R$ 2,6 bilhões. A gestora já tinha vendido a participação de 49,9% no shopping Rio Sul no ano passado. Perroni afirma que a decisão de sair do setor neste momento deve-se ao fato de os ativos em portfólio já estarem maduros e da perda de escala da Brookfield no setor.

“Perdemos escala e deixamos de ser o management e de ter o controle da gestão”, diz Perroni. Por enquanto, a gestora não pretende voltar ao segmento. Em residenciais, o foco está nos multifamily, voltados para locação. A Brookfield possui 30 projetos para moradia, sendo 16 em operação e 14 em desenvolvimento, somando 5.875 unidades.

A gestora tem uma parceria com a Luggo, da MRV, para a classe média, com presença em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná, com 8 empreendimentos em operação e 7 em desenvolvimento. “Nosso principal foco principal no segmento multifamily é em apartamentos voltados para classe média de dois dormitórios”, disse Perroni.

Na alta renda, a gestora está investindo em um empreendimento com unidades residenciais e comerciais com a REM , na esquina da Consolação, e tem o residencial de luxo UNA Parque da Cidade e o GO-850, na Vila Olímpia.

Em galpões logísticos, a Brookfield tem 13 parques em operação, e dois em desenvolvimento nas cidades de Extrema (MG) e Guarulhos (SP). “Nosso galpão no aeroporto de Guarulhos tem tido alta procura. O preço por metro quadrado subiu muito, está em R$ 100”, disse Perroni frente a uma média de mercado de R$ 35/m². A preferência da gestora é por projetos a até 35 Km da capital paulista.

A Brookfield é o maior investidor de escritórios no Brasil, com 27 empreendimentos de alto padrão e 820 mil m² de área bruta locável, soma superior à da Avenida Paulista, com 780 mil m². A preferência é pela compra de prédios já em operação e a empresa tem olhado oportunidades mais pontuais para reciclagem do portfólio.

O segmento de escritórios responde pela maior parte do portfólio concentrado em São Paulo e Rio, e apenas um edifício em Brasília. Perroni vê uma alta em lajes comerciais na capital paulista incluindo Berrini e Chucri Zaidan, que estavam com aluguel defasado. No Parque da Cidade, onde fica a sede da Brookfield no Brasil, a taxa de ocupação está em 93%.

“As empresas estão demandando lajes maiores do que tinham antes da pandemia porque o espaço entre as mesas cresceu e ela quer oferecer áreas de convivência como refeitórios ampliados, além de contar com mais serviços nos condomínios”, disse o executivo. “Passamos a fazer uma gestão ativa dos prédios de escritórios quase como um shopping”, compara.

A gestora avalia ainda a possibilidade de entrar em hotéis, segmento no qual já investe fora do país. Apesar dos juros altos, o momento pode ser uma oportunidade para comprar ativos com preços descontados. Diferente dos players locais, a Brookfield não precisa captar no mercado local, pois conta com os fundos globais, que acabam de levantar US$ 15, 7 bilhões para real estate…. leia mais em Pipeline 25$/2025