A Aston Martin planeja vender as ações minoritárias que possui na equipe que leva o nome da empresa na Fórmula 1 – e por outro lado, também deve receber mais investimentos do bilionário canadense Lawrence Stroll, proprietário da escuderia na F1 e pai do piloto Lance Stroll. A informação foi revelada nesta segunda-feira (31) em comunicado divulgado pela Bolsa de Valores de Londres. Entenda em detalhes abaixo:

A Aston Martin enquanto fabricante de carros possui um registro distinto da equipe de Fórmula 1. Ou seja: apesar do mesmo nome, a montadora e a escuderia são duas empresas diferentes.

O time que disputa a maior competição do automobilismo mundial pertence ao consórcio de investimentos AMR GP Limited, fundado por Lawrence Stroll em 2018. Este consórcio comprou a extinta Force India e levou à F1 a equipe Racing Point, em 2019. Em 2021, o time passou a se chamar Aston Martin.

A Aston Martin, enquanto empresa, possui apenas ações minoritárias da equipe que está na Fórmula 1. A ideia da montadora, que já possui um longo contrato de patrocínio com a escuderia e não deve abrir mão dele, é vender essa porcentagem – com isso, a expectativa é de arrecadar 74 milhões de libras (R$ 545 milhões, na atual cotação).

Apesar disso, o projeto da Aston Martin de vender suas ações na equipe homônima da F1 não vai fazer com que a escuderia deixe a categoria. No comunicado divulgado pela bolsa de valores londrina, Lawrence Stroll deixou claro que o objetivo é a permanência na Fórmula 1 por muito tempo:

“O investimento proposto hoje, com preço premium em relação ao preço de mercado, e a futura venda proposta das ações da Aston Martin F1® Team de propriedade da Aston Martin com um prêmio em relação ao valor contábil, deve gerar liquidez adicional significativa para o Grupo, de mais de £ 125 milhões. Com um acordo de patrocínio de longo prazo consolidando o relacionamento existente entre a Aston Martin e a Aston Martin F1® Team, nossa marca permanecerá presente e competindo no auge do automobilismo por muitos anos”, diz um trecho do comunicado.

Em comunicado particular, Lawrence Stroll também afirmou que o lugar da Aston Martin deve ser a Fórmula 1 nas próximas décadas:

– Esses movimentos demonstram que o lugar da Aston Martin na Fórmula 1 está mais seguro do que nunca. A AML recentemente se comprometeu novamente com seu contrato de patrocínio e licenciamento de longo prazo com a AMF1, confirmando que a lendária marca Aston Martin e suas cores verdes de corrida britânicas competirão na Fórmula 1 nas próximas décadas – acrescentou.

O que mais muda?

Além da intenção da Aston Martin de vender as ações que possui na equipe de F1, a fabricante de carros também deve receber mais investimentos de Lawrence Stroll – o que, na prática, deve estreitar ainda mais a relação entre o bilionário e a empresa.

O Yew Tree Consortium, consórcio liderado por Lawrence, pretende investir 52,5 milhões de libras (cerca de R$ 387 milhões) na Aston Martin, com a aquisição de 75 milhões de ações pelo preço de 70 centavos de libra cada uma. Atualmente, o consórcio possui 27,67% das ações da empresa. Com o investimento planejado por Stroll, esse percentual deve subir para 33%; no futuro, pode chegar a 35%.

Com isso, a empresa espera arrecadar 125 milhões de libras (R$ 921 milhões) no total. A movimentação da Aston Martin acontece em um período de dificuldade: em fevereiro, a fabricante demitiu 170 funcionários, o equivalente a 5% do total da empresa, após registrar prejuízo no último balanço trimestral de 2024. As dívidas da marca já ultrapassam um bilhão de libras (R$ 7,3 bilhões).

Em relação à competição nas pistas, além de assegurar a continuidade da Aston Martin na Fórmula 1, a medida adotada por Lawrence Stroll deve dar ainda mais comodidade ao filho Lance na categoria.

O piloto canadense estreou na F1 pela Williams; no entanto, assim que o consórcio liderado por Lawrence comprou a Force India e a transformou em Racing Point, Lance rumou para a equipe do pai. O canadense segue no time (agora Aston Martin) desde então… leia mais em GE 31/03/2025