Bondholders da Intercement compram crédito do BB e vão assumir empresa
A Intercement chegou a um acordo com os credores para reestruturar cerca de R$ 9 bilhões de dívida. Os detentores dos títulos emitidos no exterior pela empresa compraram cerca de R$ 1,7 bilhão em créditos detidos pelo Banco do Brasil e passaram a deter cerca de R$ 7,3 bilhões do total da dívida – agora, devem assumir a companhia.
Os bondholders já tinham comprado crédito do Itaú Unibanco, que somava R$ 2,5 bilhões. Entre os credores está o empresário argentino Marcos Mindlin, presidente da Pampa Energia. O crédito bancário tem como garantia ações da Loma Negra, operação da Intercement na Argentina, o que virou um trunfo para o grupo de credores de títulos, que não tinham garantia.
O plano de recuperação da Intercement prevê que, do total de R$ 9 bilhões da dívida, cerca de R$ 4 bilhões serão pagos com a venda da Loma Negra. Dos R$ 5 bilhões restantes, metade deve ser convertido em dívida e o que sobrar será trocado por títulos da Intercement, apurou o Pipeline.
Itaú, Bradesco e Banco do Brasil tinham cerca de R$ 6 bilhões e dívidas com garantia com o grupo. O acordo também prevê a venda da participação de 14,86% que a Mover, controladora da Intercement, detém da Motiva (antiga CCR) para pagar a dívida com o Bradesco. No acerto, a Mover ficará com cerca de R$ 500 milhões dessa venda, colocando fim a um impasse nas negociações.
A Mover vai receber R$ 450 milhões em dinheiro e warrants ou outros instrumentos semelhantes que concedem à controladora o direito de receber R$ 50 milhões adicionais se o valor patrimonial da Intercement, em um evento de monetização, exceder R$ 2 bilhões. A dívida da Mover, também em recuperação judicial, soma R$ 14 bilhões.
A Intercement adiou a votação do plano de recuperação na assembleia geral de credores realizada ontem e espera aprová-lo na reunião marcada para 15 de agosto... saiba mais em Pipeline 25/07/2025

