BotCity capta R$ 65 milhões para ajudar empresas em governança de inteligência artificial
A BotCity, startup fundada em 2020, nasceu com a proposta de facilitar o trabalho de desenvolvedores na construção de automações. Mas a explosão da inteligência artificial generativa mudou o rumo do negócio: diante de milhares de colaboradores criando scripts e integrações sem supervisão, a dor passou a ser governança. Foi com esse foco que a empresa captou R$ 65 milhões em Série A, anunciada nesta quinta-feira (25/9).
Em 2021, a startup captou R$ 15 milhões com Astella, Softbank, Alexia Ventures, Norte Venture e investidores-anjos. E o plano era levantar um novo aporte apenas no início de 2026, mas a BotCity antecipou a rodada, que foi liderada pelo fundo norte-americano Four Rivers, com participação de Y Combinator, Astella, Upload Ventures e outros investidores e fundos, como Lew Cirne, Firestreak Ventures, Mark Roe e Sagol Holdings.
“Não olhamos grife, queríamos investidores que sentassem ao nosso lado e entendessem o processo. São nomes que vão ajudar com conexões para a próxima etapa de aceleração da expansão global, que é a nossa principal agenda para consolidar a presença que construímos desde 2020”, diz.
A startup foi criada por Lorhan Caproni e Gabriel Archanjo, de olho na digitalização motivada pela pandemia, com alta demanda por automatização de processos. Eles apostaram que as promessas das plataformas low code não seriam cumpridas e as equipes técnicas ainda seriam necessárias para construir processos complexos.
“Pensamos em criar uma plataforma para construir e programar os processos em python (linguagem de programação), permitindo também gerenciar todo o histórico de automações”, relembra Caproni, CEO da startup.
A estratégia adotada pelos sócios foi atrair os desenvolvedores para construir na plataforma da BotCity, de forma gratuita. A aposta era a dor segui teseria a do gerenciamento, abrindo as portas para a startup ser contratada pelas empresas. Com o advento de plataformas como ChatGPT, Gemini e Copilot, o cenário mudou.
“É como se o problema que a gente se propôs a resolver tivesse ficado maior porque agora todo mundo está programando, o que pode expor dados sigilosos ou comprometer sistemas críticos. São vários códigos rodando sem governança e auditoria”, pontua.
A plataforma da BotCity reúne todas as automações que rodam nas máquinas dos funcionários e gerencia os processos. Caso algum erro aconteça, um relatório é gerado e notificações são disparadas. A companhia consegue controlar quais áreas da empresa têm acesso às automações e é informada sobre a economia gerada com as automações.
“Um cenário comum é ter algum colaborador muito bom em programação ajudando os colegas, mas quando essa pessoa deixa o emprego, ela leva os códigos embora porque o conhecimento não é da empresa. Isso paralisa a operação. Com a nossa plataforma, todas as automações são centralizadas”, ressalta.
Grande parte da base de clientes é formada por instituições financeiras — como Sicredi, PicPay, BMG, Sofisa e Stone — onde a governança é requisito regulatório. A carteira também inclui companhias de outros segmentos, como QuintoAndar, Petz e RaiaDrogasil. Com a democratização do uso da IA, o número médio de automações sob gestão da BotCity saltou de 250 para 5 mil por empresa.
A BotCity opera como plataforma SaaS, com contrato mínimo de um ano. A precificação é feita de acordo com o número de automações gerenciadas e máquinas monitoradas pela startup. Caproni não divulgou o tíquete médio, mas afirma que os contratos chegam a… leia mais em pegn 25/09/2025

