BSF Enterprise capta US$ 20 milhões para acelerar produção de carne e couro cultivados
A BSF Enterprise, sediada em Newcastle, acaba de levantar £15 milhões (cerca de US$ 19,8 milhões) em uma rodada de financiamento por meio de instrumentos de equity. O aporte, realizado pelo Blackstone Mercantile Group em duas etapas — via notas conversíveis e warrants — permitirá à companhia avançar mais rapidamente na comercialização de suas tecnologias de agricultura celular e impulsionar o crescimento de suas três subsidiárias.
Listada na Bolsa de Londres, a BSF atua em frentes que vão desde suplementos para meios de cultura e carne cultivada (com as marcas 3D Bio-Tissues e Cultivated Meat Technologies), até couro produzido a partir de células (Lab-Grown Leather) e soluções para reparo de córneas (Kerato).
“Estamos muito animados com as possibilidades que esse investimento abre para as empresas do grupo”, afirmou o CEO Che Connon. “Os recursos vão acelerar o desenvolvimento tecnológico e comercial da Lab-Grown Leather, da Kerato e da 3D Bio-Tissues, além de fortalecer futuras captações previstas para 2026.”
Couro cultivado com DNA de T. Rex será apresentado em 2026
Fundada em 2018 pelo advogado Geoff Baker, a BSF Enterprise desenvolve soluções de engenharia de tecidos para os setores de alimentos, materiais e saúde. Sua plataforma tecnológica permite produzir, em escala, alternativas cultivadas a tecidos humanos e animais.
No ramo alimentício, a 3D Bio-Tissues cria tecidos estruturados sem uso de scaffolds e suplementos para meios de cultura adaptados a diferentes espécies. Essas tecnologias alimentam a linha Cultivated Meat Technologies, dedicada a desenvolver carnes cultivadas de alto teor proteico com custos competitivos.
Já a Lab-Grown Leather utiliza células iniciadoras de pele para fabricar um couro batizado de 3DBT Skin, que replica as características do couro tradicional sem a necessidade de scaffolds — algo que costuma interferir no curtimento e comprometer o desempenho final do material.
Uma parte relevante do novo investimento será direcionada justamente à ampliação da tecnologia de couro celular da empresa. Isso inclui o lançamento comercial da plataforma Elemental X, que integra estruturas celulares bioengenheiradas voltadas a aplicações de couro de última geração.
A estreia dessa plataforma está prevista para o ano que vem, em parceria com a agência de branding VML e a The Organoid Company — ocasião em que a BSF pretende apresentar um couro cultivado inspirado em T. Rex, desenvolvido a partir de DNA ancestral especialmente selecionado.
O aporte também permitirá que a Lab-Grown Leather coloque no mercado seus primeiros produtos voltados ao segmento de ultraluxo, amplie parcerias com marcas e designers, fortaleça seu portfólio de propriedade intelectual e atraia novos talentos.
Estratégia inclui aquisições e expansão tecnológica
Parte dos recursos também será destinada ao avanço das soluções de reparo de córnea da Kerato e à expansão da oferta de componentes alimentares para meios de cultura da 3D Bio-Tissues.
Entre esses produtos está o CytoBoost Revive, um aditivo capaz de melhorar significativamente a recuperação de materiais biológicos armazenados a baixas temperaturas e aumentar a taxa de reativação celular pós-criopreservação em até 100%, contribuindo para pesquisas biomédicas e aplicações em biofármacos. A empresa também pretende ampliar a presença comercial do suplemento City-Mix e de toda a linha CytoBoost.
Ao atuar diretamente nos setores de carne e couro — dois dos segmentos mais emissores da cadeia animal — a BSF Enterprise se posiciona em um campo estratégico. Enquanto a pecuária é responsável por cerca de 20% das emissões globais, a produção de couro demanda grandes volumes de energia e água, além de estar relacionada ao desmatamento e à perda de biodiversidade.
Não por acaso, o interesse de investidores por couro cultivado vem crescendo, refletindo movimentos recentes como os aportes recebidos pelas startups Faircraft (França) e Qorium (Holanda). O cenário contrasta com o desaquecimento observado no setor de carne cultivada, que enfrenta uma queda acentuada no volume de investimentos nos últimos anos.
Nesse contexto, fusões e aquisições têm ganhado protagonismo — e a BSF está atenta a esse movimento. A companhia já mantém conversas com empresas cujas tecnologias podem complementar seu portfólio, e vê as aquisições e joint ventures como um caminho essencial para acelerar inovação, ampliar capacidades tecnológicas e fortalecer sua atuação comercial.
Segundo Connon, parte dos recursos pode inclusive ser direcionada a essas operações estratégicas: “Esse capital nos dá condições de avançar em aquisições, investimentos ou parcerias com empresas que tragam sinergias reais e ajudem a encurtar o tempo de desenvolvimento e chegada ao mercado de novas soluções bioengenheiradas.”… leia mais em VeganBusiness 01/12/2025

