Com aporte de Marcel Telles, Merama quer bombar a Growth Supplements
Desde que se tornou unicórnio aos quatro meses de vida, em 2021, a Merama manteve-se low profile – contrariando o manual das startups que, após atingirem o valuation bilionário, querem se tornar conhecidas do grande público.
Agora, com uma rodada de US$ 215 milhões, a consolidadora de marcas digitais de consumo quer dar mais visibilidade ao negócio. No Brasil, isso inclui a Growth Supplements, de nutrição esportiva, e a Océane, de cuidados com a pele. A capitalização contou com US$ 45 milhões em equity, incluindo o aporte do recém-chegado Marcel Telles (da 3G Capital), além de Advent, SoftBank, Balderton Capital, Monashees e Valor Capital, que já estiveram na rodada anterior.
Os outros US$ 170 milhões foram em dívida com BTG Pactual, Citi e Itaú. A startup não revela o valuation final, apenas frisa que segue acima de US$ 1 bilhão – em abril de 2021, quando levantou US$ 160 milhões, a cifra foi de US$ 1,2 bilhão.
Um dos objetivos da captação foi justamente trazer Telles, “padrinho do e-commerce brasileiro, super envolvido no negócio”, anima-se o CEO, Sujay Tyle. O contato entre as partes foi feito pela Maya Capital, gestora brasileira de Lara Lemann e Monica Saggioro.
O cheque vai servir ainda para aumentar a massa muscular dos atuais negócios via aquisições e ampliação da capacidade, mas não para engordar o número de marcas, lição do inverno das startups, em 2022. A empresa reduziu seu portfólio de 33 para seis investidas, e a equipe de 400 para 20 funcionários. No Brasil, saíram Mimo Style (de utensílios domésticos), Muvin (roupas esportivas) e Nautika (artigos para pesca). “Essas seis marcas são até 20 vezes maiores que o portfólio de 33 marcas de antes”, explica Sujay.
Das seis, a Growth Supplements, comprada em junho de 2024, é a queridinha. Seu negócio é vender online suplementos como whey e creatina sem intermediação de varejo físico ou outras plataformas, mas com parceria com influenciadores, que dão cupons, e frota própria, que agiliza a entrega.
Tudo isso fez da marca a líder de vendas no Brasil, com estimativa de US$ 450 milhões em receita – com crescimento de 25% ao ano –, US$ 100 milhões de lucro e margem superior a 20% em 2025, diz Sujay. “Isso é grande o suficiente para a Growth fazer IPO no Brasil ou nos EUA”, mas não antes de três anos, diz. No curto prazo, a Growth deve continuar operando exclusivamente no Brasil e se tornar uma marca com um portfólio de 30 produtos, incluindo drinks energéticos e snacks proteicos no menu.
Já a Océane tem lucro líquido esperado de US$ 10 milhões para 2025. Distante da liderança em seu mercado, dominado por nomes como Natura e Boticário, a companhia foi procurada por gigantes de cosméticos para uma potencial aquisição… leia mais em Pipeline 02/05/2025

