A Cumbuca entra em uma nova fase. Depois de operar como solução B2C para divisão despesas via Open Finance, a fintech pivotou e agora se posiciona como plataforma B2B. A startup passa a oferecer a empresas nacionais e internacionais acesso direto ao Open Finance por meio de um proxy baseado em sua licença de ITP (Iniciador de Transação de Pagamento).

Hoje, companhias que querem criar produtos usando o Open Finance encontram dois caminhos: tirar uma licença própria – processo caro, demorado e altamente regulado – ou contratar um fornecedor que entrega APIs proprietárias (não as APIs oficiais do ecossistema), o que acaba limitando o que é possível desenvolver.

A Cumbuca propõe uma terceira via. Em vez de oferecer uma API pronta, atua como um proxy regulado que dá acesso direto às APIs oficiais do Open Finance, sem camadas de abstração. A ideia é que, se uma funcionalidade existe no Open Finance, o cliente consegue usar via Cumbuca, sem limitações impostas por um provedor intermediário.

Segundo o CEO, Daniel Ruhman, o modelo atende especialmente grandes empresas que querem construir suas próprias APIs e manter a infraestrutura dentro de casa, seguindo padrões próprios de segurança e compliance. Esses clientes também evitam depender de fornecedores e ganham flexibilidade para criar produtos que seriam inviáveis com APIs prontas.

“É tudo muito customizado”, diz Daniel. “Não oferecemos tabela de preço nem contrato padrão, porque organizações de grande porte precisam de flexibilidade de desenvolvimento. É uma alternativa para que o cliente possa internalizar todo o processo e manter um alto nível de segurança, compliance e privacidade, além de garantir flexibilidade de produto”.

A fintech trabalha com dois modelos: o cliente pode desenvolver tudo internamente, usando apenas a licença da Cumbuca como acesso regulatório, ou combinar essa licença com provedores homologados de infraestrutura bancária – algo que tradicionalmente só seria possível para quem já tivesse uma licença própria.

Na prática, a Cumbuca abre a porta do Open Finance para players que querem operar no nível “bruto”, com liberdade de desenvolvimento e controle total da operação. Para empresas internacionais, funciona como uma rota mais rápida para entrar no país em comparação ao processo de obtenção de uma licença, que pode levar vários anos.

A nova fase

A Cumbuca está dedicada ao produto B2B desde o início de maio e já começa a ver os primeiros resultados. “O processo de venda tem sido natural, porque já fazemos parte do ecossistema e conhecemos as empresas”, afirma Daniel.

Em cerca de seis meses, a operação chegou ao breakeven e passou a gerar caixa – algo que nunca havia acontecido nos seis anos de atuação B2C. “Antes até tínhamos receita, mas ela ainda era menor que o custo. Agora estamos gerando caixa todo mês, a empresa está crescendo e os clientes estão felizes. É o mesmo CNPJ, mas agora acho que encontramos o nosso caminho.”

Apesar de atuar exclusivamente no Open Finance, a fintech não descarta expandir para outros rails do sistema financeiro, e o movimento regulatório recente reforça essa possibilidade. Na última sexta-feira (28), o Banco Central (BC) e o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentaram o modelo de Banking as a Service (BaaS), que permite que empresas de diferentes setores ofertem serviços financeiros. A norma já está em vigor, e contratos existentes podem … leia mais em Startups 03/12/2025