Dimona recebe aporte de gestora de Pedro Janot para avançar nos EUA
A carioca Dimona, especializada em estamparia sob demanda, está recebendo um aporte de US$ 1,5 milhão (ou cerca de R$ 8,5 milhões) da Solum Capital, gestora criada em 2019 pelo executivo Pedro Janot, ex-CEO da Zara no mercado brasileiro e da Azul. O cheque não vai para a empresa no Brasil, onde foi fundada em 1967 como um negócio familiar hoje na terceira geração, mas para o braço da marca nos Estados Unidos, onde opera de forma independente desde 2020, quando fez a abertura da firma ainda durante a pandemia.
O cheque da Solum vai ser utilizado para contratar pessoal (com a criação de um time de vendas nos EUA), ampliar o maquinário de impressão e formar estoque de tecidos para pronta entrega. O plano é já estar a postos para o calendário festivo americano de fim de ano, com Black Friday e Natal aquecendo a demanda por camisetas, canecas, bonés e outros itens personalizados com frases e marcas.
Enquanto no Brasil a Dimona também atua como uma estamparia tradicional, nos EUA opera somente com o “print on demand”, segmento em que a personalização desses itens ocorre depois que o cliente realiza a compra — desse modo, não se formam estoques e há mais possibilidades de customização nos produtos, com o conceito de “prateleira infinita”.
A companhia pluga-se a 20 mil plataformas do mercado, como Shopify e estamparias, por onde empresas e outros influenciadores digitais (uma fatia significante interessada nesse nicho) realizam os pedidos. A empresa carioca também cuida da entrega para quem vai receber o pedido, com prazos de entrega de até 48 horas em todo o território americano.
Para a Dimona, a expectativa é aproveitar o bom momento desse segmento nos Estados Unidos e competir com os players locais da estamparia tradicional, que têm entre 30 a 40 anos de experiência. Por lá, o print on demand ainda é incipiente ante o número geral de 2 bilhões de impressões em estampas por ano, mas a área cresce a 25% ao ano e deve faturar US$ 10 bilhões até 2030, diz a Dimona.
“O mercado de impressão sob demanda está em crescimento nos Estados Unidos, e nós queremos expandir junto com ele”, diz Igor Blumberg, o CEO da Dimona nos país americano e antigo CTO na operação brasileira, responsável por comandar as equipes de software da estamparia digital. Para ele, o segredo vai ser utilizar “eficiência e tecnologia” na operação.
A Dimona USA está presente no país americano desde 2020, depois de uma multinacional incentivar a ida para o solo ianque, diz Blumberg. A operação começou com uma única fábrica em Miami, com produção de 20 mil estampas mensais. Em 2022, inaugurou uma segunda unidade, em Chicago, e viu a capacidade instalada máxima saltar para 100 mil estampas por mês. Atualmente, a produção atual é de 72 mil, “perigosamente perto do limite”, diz o CEO. O negócio opera no azul desde o início. O faturamento projetado para 2025 é de US$ 10 milhões, depois de registrar US$ 6 milhões em 2023.
Para a Solum, trata-se do primeiro investimento nos Estados Unidos. A gestora aposta em pequenas e médias empresas da economia tradicional, nicho em que os fundos de venture capital, em busca de startups com rápido crescimento, não costumam atuar. Três empresas do portfólio são a Engravida, de tratamento para reprodução, a Raízs, de distribuição de alimentos orgânicos, e a Anna Pegova, de cosméticos. “Estamos muito animados com a oportunidade de entrar no mercado americano através de uma empresa com sócios com vasto conhecimento no segmento, com capacidade de execução comprovada e com alto potencial de crescimento”, diz em nota Donato Ramos, CEO da Solum Capital…. leia mais em Pipeline 17.10.2024

