Embrião de private equity da Drýs, Renu Energia aposta em biometano
Depois de rebatizar a Equitas como Drýs Capital, a gestora que já foi conhecida pelos fundos de ações tem apostado em novas verticais de investimentos. Num embrião do que pode ser uma operação de private equity, os sócios da Drýs estruturaram uma empresa para investir em biometano – e acabam de fechar a primeira aquisição da Renu Energia.
“Começamos a estudar esse mercado no final de 2020, dado nosso interesse de investimento na Orizon. Ancoramos a oferta, ainda somos acionistas, mas vimos um potencial imenso no interior do Brasil para projetos de menor escala, fora do radar da empresa”, diz Paulo Lopes, o sócio da Drýs que tem ficado à frente da Renu.
O veículo foi estruturado no fim de 2023 e desde então os investidores vinham avaliando aquisições e projetos de desenvolvimento para tornar o negócio operacional. Agora, a empresa fechou a compra do controle de uma usina em Jacarezinho, no Paraná, que pertencia a quatro empresários do agro – entre eles, os sócios do grupo cafeeiro Dois Irmãos.
A Renu vai expandir a usina e investir em equipamento para transformar o biogás em biometano. A companhia quer uma produção de 10 mil a 15 mil m3 diários de biometano, a partir de 200 toneladas de resíduos processados. “É um volume que já fica interessante para os offtakers”, diz Lopes, em referência aos potenciais compradores de gás em contratos de longo prazo.
Em Jacarezinho, somada à transação inicial, a expansão deve demandar R$ 35 milhões e a empresa já abriu conversas com potenciais interessados em participar da operação. A estrutura deve ser alavancada em dívida, mas a Drýs pode fazer isso por meio de papéis conversíveis com um estratégico, por exemplo, e também quer funding para novas operações.
“O primeiro desafio era encontrar uma usina e começamos com capital proprietário para testar a tese, o que der certo e o que der errado é com dinheiro nosso”, diz. “Para analistas fixados em telas e planilhas, essa experiência em economia real tem muito a ver com o caminho de diversificação e empreendedorismo da gestora.”
A Renu já tem outras 20 usinas em análise, cinco delas em estágio mais avançado de negociação entre interior de São Paulo, Minas e Paraná. Se realizasse todo o pipeline hoje, a companhia chegaria a quase 300 mil m3/dia de biometano, com um investimento da ordem de quase R$ 750 milhões.
A antiga Equitas se reinventou depois de uma perda de desempenho e de volume em fundos de ações, com a migração de investidores para renda fixa e títulos incentivados. Agora, a Drýs tem crescido com fundos de crédito privado, que compõem boa parte dos atuais R$ 700 milhões sob gestão. E, além da Renu, outra vertical nova que está sendo colocada de pé é o investimento em PPPs de infraestrutura social, que incluem escolas e hospitais.
A Drýs deve levar um fundo específico para esse investimento, em parceria com a Garín Partners, da ordem de R$ 300 milhões. Com mais de 300 PPPs em diversas cidades do país para virem a mercado nos próximos 18 meses, o fundo quer investir em três a sete projetos com esse capital… leia mais em Pipeline 29/04/2025

