A paixão – ou a necessidade – do brasileiro por carro fez a operação local da rede de estacionamentos Indigo dobrar de tamanho nos últimos três anos e consolidar o país como sua principal fonte de receita fora da França. São 340 mil vagas e uma expectativa de faturamento de R$ 1,8 bilhão em 2025, quase um terço da projeção global de 1 bilhão euros (R$ 6,2 bilhões) com base no primeiro semestre.

O número considera a inclusão recente das 14 mil vagas dos 13 shoppings da Partage Malls distribuídos por dez estados e o Distrito Federal, cobrindo as cinco regiões: Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Assim, o grupo passa de 100 cidades e 340 estacionamentos no país.

O contrato com a Partage tem peso simbólico, porque o grupo havia sido cliente da Indigo até 2018, quando decidiu tocar a operação internamente. E é ainda mais significativo por ocorrer num momento em que a unidade brasileira volta a ser subsidiária integral da matriz francesa, com a saída do Pátria Investimentos, que detinha 44% das ações desde a combinação com a sua PareBem, em 2022.

A compra da participação do sócio local pela Indigo foi aprovada pela superintendência do Cade no começo do mês. “O modelo principal é esse. O grupo gosta de ter integração e sinergia com a matriz. Uma sociedade local é sempre mais difícil de administrar”, disse o CEO da operação brasileira, Thiago Piovesan, sem abrir detalhes da transação.

Em um setor altamente fragmentado e ainda permeado por informalidade, a Indigo divide a liderança com a Estapar. Juntas, porém, não chegam a mais de 25% do mercado, que segue tomado por prestadores regionais e pátios menores, calcula Piovesan, à frente da operação brasileira desde 2018. Em setembro, a rede de André Esteves administrava 520 mil vagas em 804 estacionamentos.

Para atuar nesse nicho – inclusive como consolidadora – sem perder rentabilidade, a empresa está apostando na Indigo Light, segmento voltado a estacionamentos de 50 a 100 vagas, com menor densidade operacional. “O Canadá tem mais de mil operações por esses contratos, mas os países têm realidades diferentes, não é jogar aqui que dá certo”, pondera Piovesan.

“Estamos na fase de trazer a tecnologia que usamos em Guarulhos para menos vagas, em uma operação adaptada, a um custo que fique leve e suportado, sem perder foco nos grandes, com uma equipe separada para não perder o foco”, detalha o executivo. Nos 10 países em que fincou suas cancelas, a Indigo opera mais de 2.700 estacionamentos (680 na França) e 1,7 milhão de vagas (460 mil francesas).

O portfólio brasileiro tem 180 shoppings, 65 hospitais e clínicas como Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e HCor, nove aeroportos, incluindo Guarulhos, além dos parques Ibirapuera, Villa-Lobos, Iguaçu, Zoológico de São Paulo, Arena Corinthians, São Paulo Expo e Anhembi. Os contratos variam conforme o perfil do ativo, com prazos de um a dois anos ou de 20 a 25, mais comum nas concessões públicas.

O desenho modular permite que a empresa execute contratos puramente operacionais, modelos com aquisição parcial ou total da operação por prazo determinado, acordos com luvas de entrada, investimentos em equipamentos ou coinvestimentos junto aos proprietários do espaço ou do negócio.

O CEO brasileiro defende que o negócio da Indigo não é só estacionamento, mas mobilidade e serviços que podem ser agregados à permanência dos automóveis nas dependências da bandeira, tais como lavagem de carros, locação de veículos, last mile, ativações de entretenimento e, na pandemia, drive-thru de vacinação e testagem… leia mais em Pipeline 24/11/2025