Fusão com BRF favorece acionistas da Marfrig, apesar de diluição
Apesar da diluição, a fusão da Marfrig com a BRF traz mais vantagens para os acionistas da primeira já que terão posição na terceira maior empresa de proteína global do mundo, com portfólio mais diversificado, maior margem e potencial de valorização com eventual listagem nos Estados Unidos, avaliam os analistas de XP, Goldman Sachs e BTG Pactual.
“Em nossa visão, o perfil da nova companhia favorece os acionistas da Marfrig, ao ampliar a exposição a produtos processados e ao atual ciclo positivo de frango, que vemos como mais duradouro, ao mesmo tempo em que reduz exposição ao segmento de carne bovina nos EUA, atualmente pressionado”, apontou a XP em relatório.
A Marfrig já tem quórum suficiente para aprovar a transação, uma vez que já controla a BRF com 50,5% do capital e votará na assembleia geral extraordinária marcada para 18 de junho. Mas os acionistas da BRF têm um incentivo a mais para aprovar a operação: a distribuição de um gordo dividendo.
Pela transação, os acionistas da BRF receberão R$ 3,5 bilhões em dividendos, o equivalente a R$ 2,20 por ação, que será trocada pelo equivalente a 0,8521 do papel da Marfrig. A transação avaliou a ação da BRF a R$ 19,89, 3,5% abaixo do fechamento do pregão de 15 de maio. Os acionistas da BRF que não aderirem a oferta, contudo, não receberão os dividendos proposto.
Os acionistas da BRF ficarão com 43% da nova companhia e terão uma diluição de 8,6%. Já a família Molina, terá sua fatia diluída de 72% na Marfrig para 41,5% na nova empresa, a MBRF Global Foods. Em teleconferência com analistas, Molina disse que a companhia já tem a sinalização de apoio dos acionistas para aprovar a operação e que vê oportunidade de recompor o percentual para atingir o nível de controle da nova empresa. “Acho que o preço está atrativo perante as sinergias”, disse. A expectativa é concluir a incorporação da BRF até 28 de julho.
A ação da Marfrig foi avaliada a R$ 3,32 e os acionistas da empresa receberão R$ 2,5 bilhões em dividendos, o equivalente a R$ 2,90 por ação. A transação já era esperada pelo mercado desde que a Marfrig assumiu a maioria no conselho da BRF há três anos. A nova companhia nasce com faturamento de R$ 150 bilhões e o potencial de sinergias geradas de R$ 805 milhões por ano, sendo entre R$ 400 a R$ 500 milhões já no primeiro ano, além de ganho fiscal estimado de R$ 3 bilhões com crédito tributributário. O volume projetado de sinergias ficou abaixo do esperado pela XP.
“A fusão vai permitir capturar sinergias operacional e tributária, além de ganho de escala e diversificação”, disse Molina na teleconferência.
A empresa combinada terá uma alavancangem financeira de 3 vezes, acima da apresentada hoje pela Marfrig de 2,69 vezes e acima da BRF de 0,54 vez. Pelos cálculos do BTG, considerando os custos de incorporação, a companhia combinada terá uma alavancangem entre 3,6 e 4,5 vezes.
Contudo, a potencial listagem nos Estados Unidos reduzirá o custo de captação da nova empresa, além de trazer vantagens fiscais, e os executivos esperam uma queda da alavancagem com o ganho com sinergias.
A Marfrig já começou os estudos para migração para a bolsa americana, aproveitando a operação da National Beef, assim como fez a JBS, e espera que isso ocorra no médio prazo. “A redomiciliação da companhia vai destravar valor aos acionistas”, disse Rui Mendonça, CEO da Marfrig... leia mais em Pipeline 16/05/2025

