Grupo Roncador eleva aposta em mineração e compra áreas em Mato Grosso
Um dos maiores produtores rurais do país, com mais de 60 mil hectares sob gestão, Pelerson Penido Dalla Vechia agora expande verticalmente sua atuação e mira fundo, de olho na riqueza que há no subsolo da região onde fica a maior parte de seus negócios. O empresário acaba de comprar novas áreas no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, para ampliar o braço de mineração do Grupo Roncador.
As aquisições incluem dois processos com direito de exploração de minério e mais 100 hectares que ficam no polígono entre as duas minas que já estão em operação e as duas novas áreas, abrangendo os municípios de Nova Xavantina, Cocalinho e Água Boa.
A área de mineração da Roncador recebeu R$ 40 milhões de investimentos apenas neste ano, incluindo as compras recentes e na infraestrutura da unidade Taquari, conta Peleco, como é mais conhecido. Um dos objetivos do empresário é dar escala à produção de um pó de rocha especial, que está sendo patenteado pela Roncador e promete impulsionar a produtividade das lavouras.
Além disso, poderá aumentar a capacidade de produção de calcário, fundamental para a correção de acidez do solo e usado largamente na agricultura de Mato Grosso, e também produzir os diversos tipos de britas usadas principalmente na construção civil. Hoje, as duas minas do grupo produzem menos de 2 milhões de toneladas de calcário por ano e a previsão é superar esse volume ainda em 2025.
O silicálcio é a principal razão das novas apostas de Peleco. O remineralizador natural foi garimpado entre as montanhas de rocha que explora no Vale do Araguaia e vem sendo testado há pelo menos cinco safras na Roncador, que é referência em agricultura regenerativa e integrativa no país. Além dos técnicos de campo, o empresário conta com um time de pesquisadores de universidades respeitadas, como a Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, e a Universidade Federal de Goiânia.
“Em 2019, fizemos a primeira aplicação em 410 hectares, com cinco toneladas do produto por hectare, e colhemos oito sacas de soja a mais por hectare em relação às áreas de testemunha”, diz.
O resultado surpreendeu positivamente e levou o empresário a registrar o produto. Ao mesmo tempo, foram intensificados os estudos para entender o que havia de nobre naquele pó de rocha. Depois de muitas análises, a conclusão foi que o diferencial estava na quantidade de micronutrientes presentes no silicálcio.
Roncador fez um aporte de R$ 40 milhões em mineração
Com a associação do produto à sopa de floresta — um composto orgânico extraído das florestas das fazendas e misturado à silagem — e ao esterco bovino coletado das áreas de pecuária, há uma super-reação debaixo da terra, acelerando o processo de absorção de nutrientes pelas plantas, explica. Justificava-se, então, o salto de produtividade de um ano para o outro.
“Os micronutrientes são ativadores de enzimas que catalisam e ajudam nos processos químicos. Micronutriente e microrganismos juntos são o segredo do universo”, resume o produtor, que é um admirador, estudioso e sempre menciona a obra de Ana Primavesi, precursora da agroecologia. Os estudos realizados na Roncador pelos pesquisadores estão virando artigo científico e em breve serão publicados, afirma Peleco.
Com apoio da ciência, além de cinco safras de evidências na bagagem e dinheiro no caixa, claro, o empresário pretende agora colocar em ação um plano de produção e comercialização do silicálcio. Hoje, a venda do produto fica entre 15 mil e 20 mil toneladas por ano — atende basicamente à necessidade das lavouras da Roncador, além de alguns amigos a quem Peleco doou o produto para que testem em suas propriedades.
A meta é produzir 500 mil toneladas por ano do insumo. Com um valor médio balizado pelo calcário, de R$ 100 a R$ 120 por tonelada, o produto tem potencial de gerar até R$ 60 milhões. A estratégia comercial prevê um foco na região do Xingu, em Mato Grosso, mas vai além.
“Vamos entrar em Goiás”, avisa ele entusiasmado. A disposição do empresário em fazer o negócio prosperar é bem diferente da recomendação que ele recebeu quando decidiu assumir de vez as operações do grupo. “Cuida aí [da mineração] até vender”, foi o que ele ouviu na época, em 2017… leia mais em GloboRural 25/08/2025

