A startup da gig economy Mission Brasil finalizou uma extensão de rodada seed de R$ 20 milhões liderada pelos fundos Headline e Domo VC, que estão apostando na tese de que o trabalho sob demanda vai continuar crescendo. As duas gestoras estão colocando mais R$ 13 milhões na rodada, complementando os R$ 7 milhões aportados por ambas em 2023.

A Mission Brasil é uma plataforma que conecta pessoas sem trabalho a “missões” criadas por empresas, como tarefas de cliente oculto, encaixotar pacotes ou atuar em telemarketing. A empresa soma mais de R$ 63 milhões em contratos e tem Natura, Mercado Livre, AzkoNobel entre os clientes. Similar a apps conhecidos da economia criativa, como iFood e Uber, a empresa não forma vínculo empregatício com os prestadores de serviço e gera receita ao cobrar taxas dos clientes, neste caso, das empresas.

O aporte na Mission Brasil é para capital de giro na operação, que se torna mais intensa no fim de ano com a demanda puxada por empresas de logística, e-commerce e varejo físico. O reforço de caixa vem em meio à aceleração do negócio, com crescimento de 125% em 2025, e da pressão de capital provocada pelo descasamento entre prazos de recebimento das grandes empresas e o pagamento rápido dos trabalhadores – que precisa ser feito no dia seguinte à conclusão de cada missão.

“Foi a rodada mais fácil que já fiz na vida”, brinca o fundador e CEO da Mission Brasil, Thales Zanussi. Segundo o empresário, ao ir para a rua atrás de uma nova captação, tanto a Headline quanto a Domo sinalizaram logo o cheque para fechar a rodada, sem tirar o empresário do foco da operação.

Além de financiar o crescimento já contratado, o aporte vem para ampliar o produto da startup (criar mais “missões”) e fazer contratações nos times comerciais e operacionais da empresa. A startup planeja sair de 77 para cerca de 150 funcionários após a rodada, além de adicionar cerca de 20 novos clientes enterprise por trimestre. A projeção de crescimento para 2026 é de 210%. A empresa não abre mais informações sobre o negócio. “Vamos triplicar de tamanho com esse capital, tanto em receita quanto em estrutura”, diz o fundador

Fundada em 2016, a Mission Brasil nasceu incubada na IntelServ, empresa de recuperação de crédito do pai de Zanussi e onde ele trabalhava como diretor após sair da Deloitte. Em um trabalho para a joint-venture entre Neoway e Cetip, o projeto era pagar trabalhadores autônomos para coletar placas de veículos nas ruas, gerando dados para seguradoras e financeiras do ramo. O projeto foi interrompido, mas o empresário notou que poderia aplicar a tese a outras tarefas sob demanda e se juntou ao sócio Eduardo Parucker para fundar a startup.

Atualmente, Mission Brasil reúne um milhão de “missionários” em mais de cinco mil municípios, com 30 mil novos usuários chegando todo mês… leia mais em Pipeline 04/12/2025