Um naufrágio foi a razão para a startup baiana i4sea encontrar seu produto e se salvar do vale da morte. Fundada em 2016 para fazer o cálculo de calado dinâmico de navios, a empresa forneceu tecnologia de previsão hiperlocal de clima para ajudar as autoridades nos resgates da lancha Cavalo Marinho I, que matou 23 pessoas em 2017 na Baía de Todos-os-Santos. O serviço mostrou-se tão efetivo que esse passou a ser o negócio da startup.

“Mudamos o propósito da i4sea, abandonamos a área de calado dinâmico e desenvolvemos a tecnologia de previsão em 2020”, afirma Matheus Lima, oceanógrafo de formação que se tornou fundador e CEO da i4sea. A startup cresceu 120% em 2023, quando começou a atuar com o novo serviço. “Foi uma pivotagem que deu certo.”

Agora, a i4sea anuncia a primeira rodada de investimento da história. A KPTL está liderando uma rodada de R$ 7,5 milhões junto com a Polaris Investimentos. O aporte acontece por meio do Fundo Govtech – gerido pela KPTL e pela Cedro Capital –, dedicado a startups que fornecem soluções para governos, infraestrutura e resiliência climática, entre outros. Esse é o quinto aporte realizado pelo fundo, que teve sua primeira saída em outubro passado ao vender o negócio para a Biosolvit.

Para Adriano Pitoli, chefe do fundo, a i4sea tem conhecimento técnico de alto nível, com fundadores das áreas de oceanografia e tecnologia, unindo aprendizado de máquina (machine learning) com previsão meteorológica. “Num momento em que há um aumento de risco climático para as empresas, esse serviço se mostra importante, possibilitando que as empresas façam um plano de contingência para seus negócios”, explica.

Depois de gerar previsões precisas de clima para o setor portuário (os clientes incluem o Porto de Santos e a antiga Santos Brasil), a i4sea passou a atuar também no agronegócio, uma das frentes nas quais pretende crescer após a rodada com a KPTL.

A startup usa inteligência artificial para apontar mudanças bruscas de clima que, geralmente, passam despercebidas pelas grandes previsões meteorológicas, antecipando-se a acidentes e evitando perdas financeiras nas colheitas, cada vez mais afetadas pelas mudanças climáticas.

A startup quer crescer o negócio em outros países, já que seu modelo de IA pode ser replicado em outros climas. Segundo Lima, a startup já consegue operar a camada de previsão hiperlocal em toda a América do Sul, e isso é facilmente replicado para outras regiões. Os primeiros países vão ser o Chile (onde já começou a fechar contratos, como com o Puerto de Mejillones), Peru, Colômbia e depois o restante da América Latina.

A i4sea espera faturar R$ 5,6 milhões em 2025, representando crescimento de 77% sobre o ano anterior. Para 2026, a meta é ambiciosa, já com a internacionalização consolidada: R$ 16 milhões de receita recorrente. “É tudo um passo de cada vez. Não somos loucos de abrir mercados a torto e a direito”, diz Lima… leia mais em Pipeline 24/04/2025