Inhire atrai DGF e Bridge One para brigar com Gupy por grandes empresas
A startup Inhire, especializada em seleção e recrutamento de candidatos por inteligência artificial (IA), atraiu as gestoras DGF e Bridge One em uma rodada de investimento com a Endeavor Scale-Up Ventures entrando no barco. O investimento foi de algumas dezenas de milhões – as firmas não revelam a cifra, mas o Pipeline apurou que foi abaixo de R$ 50 milhões.
A tese da empresa é ter um software tão desejado pelas empresas quanto pelos candidatos, que rotineiramente se queixam do insucesso em processos seletivos digitais – como no caso da rival Gupy.
Com a injeção de capital, a startup quer conquistar clientes de grande porte (segmento enterprise) e adicionar inteligência artificial da abertura ao fechamento da vaga. Atualmente, a Inhire tem foco nas médias empresas (de 200 a 500 funcionários), mas vem aumentando a fatia de grandes empresas. Entre os 600 clientes, Cielo, Magalu, Deloitte e Samsung SDS usam a solução.
Este é a terceira rodada de investimento da Inhire, que nasceu em 2022 como uma solução de software dentro de outra HRtech, a Intera, fundada em 2019 em Salvador. A startup já havia levantado uma quantia não especificada com investidores-anjos e, em 2022, com a Citrino Ventures, que liderou um cheque de R$ 9,8 milhões. Com o sucesso do software, houve um spin-off e, agora, a Inhire anda com as próprias pernas.
O principal diferencial da Inhire, segundo o fundador e CEO Augusto Frazão, é a centralização única da visualização de dados, incluindo a geração de dashboards, relatórios e outras ferramentas de análise. A aplicação de IA vem complementar o fluxo, automatizando etapas para o recrutador, como transcrição de entrevistas e triagem de candidatos.
Para o candidato, a Inhire tenta simplificar o processo seletivo, agilizando o preenchimento de formulários com integrações com o LinkedIn. “Essa é a ferramenta de que os candidatos mais gostam, porque outras plataformas levam mais tempo no processo seletivo, enquanto nós simplificamos”, explica Frazão.
Nas redes sociais, é comum encontrar pessoas criticando os exaustivos formulários, testes e ausência de feedback de processos digitais conduzidos por plataformas como a Gupy.
No ano passado, a Inhire cresceu 300%, e a meta é duplicar o faturamento em 2025. Os unit economics também vão bem, destaca Frazão: a startup tem margem bruta de 70%, churn abaixo de 1,5% e retorno sobre aquisição de clientes (LTV/CAC) de quase 8 vezes em 2024. “Nosso objetivo é, nos próximos cinco anos, nos tornar líderes do mercado”, diz o CEO.
“A empresa cresceu nesses anos super difíceis, mesmo no cenário atual de poucos deals para startups, o que prova para nós que existe demanda e problema para ser resolvido por empresas de tecnologia”, explica Henrique Uehara, partner da gestora de venture capital DGF, que já investiu no Reclame Aqui, RD Station, Sólides e Tractian.
João Brandão, sócio da Bridge One, referenda a opinião. “O que eles construíram, com esse estágio de maturidade, é algo muito raro”, diz. A firma já investiu em nomes como Clearsale (vendida para o Serasa), Mandaê (comprada pela Nuvemshop) e Stilingue (adquirida pela Blip). Atualmente, o portfólio conta ainda com a Goomer, Vu e Involves… leia mais em Pipeline 18/08/2025

