Jusbrasil investe na Maritaca, de olho em modelo de linguagem brasileiro
O Jusbrasil está se movimentando para ser “AI-heavy” e o primeiro movimento foi um investimento na Maritaca, apurou o Pipeline. O aporte tem um interesse claro: a startup desenvolve um large language model (LLM, a mesma tecnologia do ChatGPT) inteiramente brasileiro, o que traz sinergias estratégicas para os planos da empresa, conhecida pelo repositório digital de 1,2 bilhão de documentos jurídicos e 30 milhões de usuários por mês.
O investimento do Jusbrasil envolve a troca de informações e tecnologia entre as duas empresas. Segundo uma fonte, a participação da lawtech pode chegar a até 25% da Maritaca no curto prazo. O Jusbrasil confirma o investimento, mas não revela o valor aportado e se há opção de compra de controle já prevista no acordo.
“A convergência entre as duas empresas reforça o compromisso de oferecer inteligência jurídica de qualidade, por meio do desenvolvimento de tecnologia feita no Brasil e em língua portuguesa, o que aprofunda o entendimento das normas, decisões e expressões jurídicas nacionais”, comentou a Jusbrasl em nota ao Pipeline. A Maritaca não comentou até a publicação desta reportagem.
Fundado em Salvador em 2008, a Jusbrasil também entrou no radar do venture capital, com fundos interessados na utilização de tecnologia no Direito. Em novembro, a Jusbrasil levantou US$ 86 milhões com a gestora americana Warburg Pincus e já tinha captado, em 2021, US$ 32 milhões com SoftBank e Monashees. Atualmente, a empresa opera em breakeven, com faturamento de cerca de R$ 800 milhões ao ano.
A Maritaca nasceu em Campinas pelas mãos do cientista Rodrigo Nogueira, pesquisador da Unicamp e PhD em Ciência da Computação pela New York University. A startup começou a operar um mês de a OpenAI lançar o ChatGPT, trazendo uma revolução na IA generativa. Com um time de cerca de 10 pessoas, a empresa treina o modelo de linguagem em língua portuguesa, abastecidos com dados da internet. Com precificação em reais, os produtos da companhia incluem os chatbots Sabiá-3 e o MariTalk.
Para as duas empresas, a transação traz benefícios. Ao ter um LLM dentro de casa treinado em cima de dados de brasileiros, a Jusbrasil consegue oferecer serviços jurídicos de maior precisão para os clientes da lawtech, com menos “alucinações” (termo técnico dado a quando um chatbot como ChatGPT ou Gemini, do Google, erra, mente ou omite informações, tratando-as como verdadeiras).
Já a Maritaca se beneficia da capitalização, resolvendo um gargalo importante para as startups de inteligência artificial que precisam queimar altas quantias de dinheiro para rodar os modelos de linguagem que sustentam os chatbots. Além disso, o Jusbrasil pode fornecer grandes volumes de dados de processos e documentos jurídicos para o time de Nogueira, que precisa dessas informações para aperfeiçoar a tecnologia.
A parceria amarrada nos últimos meses já começou a render frutos, com a criação da Jus IA, assistente conversacional que auxilia advogados na análise e escrita de documentos jurídicos em língua portuguesa… leia mais em Pipeline 24/06/2025

