Just Climate, de Al Gore, capta mais US$ 200 milhões e investe em agtech indiana
A Just Climate, firma de investimentos da Generation Investment Management, aumentou o volume captado para a estratégia focada em natureza, chegando a US$ 375 milhões — e vai seguir em captação até o ano que vem.
No final do ano passado, a gestora tinha levantado US$ 175 milhões com o fundo de inovação climática da Microsoft e o fundo de pensão de professores da Califórnia, CalSTRS. Agora, captou US$ 200 milhões, com três âncoras: o grupo europeu Achmea, o Environment Agency Pension Fund, ligado à autoridade ambiental britânica, e o Royal Bank of Canada (RBC).
Segundo Eduardo Mufarej, co-CIO da Just Climate e sócio da Generation para América Latina, a captação reforça um movimento entre grandes alocadores globais, a despeito de discursos políticos ou mesmo algumas revisões corporativas sobre compromissos ambientais. “Passamos por crivos muito exigentes. É mais recurso para a natureza”, diz.
A tese mira tecnologias e modelos de negócio ligados a agricultura, uso da terra, florestas, água, resíduos e biodiversidade — áreas que, segundo o executivo, representam mais de um terço das emissões globais, mas recebem tradicionalmente entre 5% e 10% da alocação dos fundos.
O tíquete médio da Just Climate é de cerca de US$ 30 milhões por empresa, já considerando uma reserva de capital para follow-on. A gestora acaba de fazer seu terceiro investimento e o primeiro em uma empresa de país emergente, na indiana AgroStar.
A agtech atua com produtos e serviços para agronomia, dando aconselhamento digital a pequenos produtores e acelerando a migração para insumos biológicos — o que ajuda a reduzir a ineficiência agrícola e a degradação ambiental. A empresa usa conectividade 5G e inteligência artificial para orientar pequenos fazendeiros, principalmente aqueles com áreas de um a dois hectares (típica escala da agricultura indiana) sobre manejo, pragas e aplicações no momento certo.
A agtech pode expandir os serviços, incluindo seguros, crédito e soluções logísticas. “A companhia está construindo uma ponte entre a desinformação no setor e trazendo dados e evidências para que os produtores possam tomar melhores decisões no campo”, diz Mufarej.
A Just Climate já tinha investido na britânica NatureMetrics, especializada em análise de DNA para mensuração de biodiversidade e que está abrindo laboratório no Brasil em parceria com o Senai; e na americana GreenLight Biosciences, que trabalha com defensivos biológicos baseados em RNA, que combatem pragas com precisão e reduzem danos a polinizadores e ao solo.
Ele avalia que a agricultura caminha para um modelo semelhante ao da medicina de precisão, com mensuração contínua de solo, carbono, biodiversidade e impactos ambientais. Quebras recentes na produção de cacau e café são exemplos da pressão climática sobre cadeias globais, que ajudam a chamar atenção não só de investidores como de empresas e estados, de olho na produtividade e segurança alimentar.
Na COP30, a Just Climate ajudou a organizar o primeiro encontro de gestores de recursos realizado dentro da programação oficial, reunindo 30 fundos de pensão e soberanos em Belém para discutir como ampliar investimentos em países emergentes.
O executivo esteve em Belém por uma semana e avalia que, mesmo em ambiente de forte tensão geopolítica e na ausência dos Estados Unidos, houve avanços relevantes na mobilização do capital privado. “Hoje, 85% da expansão de energia solar no mundo é financiada pelo setor privado. Precisamos que outros segmentos cheguem nesse patamar”, diz.
A discussão sobre combustíveis fósseis sofreu forte resistência de países produtores de petróleo, e acabou fora do texto final. Mas Mufarej considera que a COP conseguiu entregar resultados significativos apesar das circunstâncias. “Foi uma COP realizada na maior adversidade dos últimos anos e, ainda assim, com bons resultados. O Brasil cumpriu um bom papel”, considera.
No início deste ano, Mufarej uniu sua então gestora Good Karma Partners à Just Climate, fundada pelo ex-vice-presidente americano Al Gore… leia mais em Pipeline 25/11/2025

