JV de Suzano e Kimberly-Clark cria oitava maior empresa global de tissue
A parceria com a Kimberly-Clark, anunciada nesta quinta-feira, pela Suzano é vista por analistas como positiva para a brasileira, uma vez que aumenta sua diversificação de produtos. A operação dará origem à oitava maior empresa do mundo em papéis de higiene (tissue), segmento visto como mais resiliente na indústria de celulose.
Após especulações no início do ano de que a Kimberly-Clark estaria reavaliando seus negócios fora dos Estados Unidos e se chegou a se envolver em conversas com outros players do setor como Royal Golden Eagle (RGE), de Cingapura, e Asia Pulp & Paper (APP), da Indonésia, a brasileira acabou levando o ativo, que conhece muito bem.
A transação acontece também dois anos e meio após a empresa de papel e celulose da família Feffer anunciar a compra dos ativos da Kimberly-Clark no Brasil. Agora, as duas estão criando uma companhia separada avaliada em US$ 3,4 bi com sede na Holanda, com operações em 14 países. A companhia brasileira terá 51% das ações e indicará o management, incluindo CEO e CFO, além de três dos cinco membros do conselho de administração. E ainda poderá indicar outros executivos C-level.
A Suzano espera um retorno sobre o investimento de 15,5% com a transação. “Vimos uma janela de oportunidade de fechar uma transação que vai criar valor e tem baixo de risco de execução”, disse o presidente Beto Abreu em call com analistas.
A Suzano pagará US$ 1,734 bilhão à Kimberly-Clark em dinheiro, usando recursos em caixa, no fechamento da operação, previsto para 2026. A brasileira tem ainda a opção de comprar os 49% restantes da Kimberly-Clark na nova empresa após três anos, mas isso pode ocorrer antes desse período, e não tem data para expirar. “Ainda não tomamos a decisão se vamos exercer ou não essa opção, não estamos pensando nisso nesse momento”, disse o vice-presidente financeiro, Marcos Assumpção, na teleconferência.
O valor a ser pago pelos 51% poderá ser menor, US$ 1,2 bilhão, dependendo da estrutura de capital da nova companhia. A JV nasce sem dívida, mas pode tomar até US$ 1 bilhão em financiamento, com alavancagem limitada a 2 vezes a dívida líquida/Ebitda.
O Citi estima que, mesmo considerando um preço médio menor da celulose de US$ 600 por tonelada em 2026, a alavancagem da Suzano deve ficar em 2,7 vezes no fim do próximo ano, abaixo de 3 vezes do primeiro trimestre, porque a empresa vai passar a consolidar o Ebitda da joint venture no balanço. “A transação deve reduzir a volatilidade do fluxo de caixa”, diz Assumpção. Em coletiva om jornalistas, o executivo disse que a empresa espera um aumento de alavancagem pequeno, de 0,1 vez com a transação, o que deve permitir à empresa manter o grau de investimento.
A companhia nasce com uma receita líquida de US$ 3,3 bilhões e um Ebitda de US$ 500 milhões, considerando os números de 2024. A transação envolve 22 fábricas em 14 países, voltadas para a produção de papéis higiênicos, guardanapos, toalhas de papel e lenços faciais que incluem mais de 40 marcas regionais como Kleenex, Scott, Cottonelle, WypAll, Viva e Kimberly-Clark Professional.
Essas fábricas possuem capacidade instalada conjunta de cerca de 1 milhão de toneladas anuais. Após a aquisição, bens de consumo passarão a ter peso de 31% no balanço da Suzano, ante os 6% atuais. A companhia espera um ganho anual de US$ 175 milhões com sinergias ao longo de três anos, a maior parte (70%) vindas da otimização de suprimentos e da operação industrial.
A Suzano reduziu o custo com insumos e custos fixos ativos da Kimberly-Clark adquiridos no Brasil em 46% e aumentou a produção em 22% desde a aquisição, destaca o Citi.
A Suzano já é líder do mercado brasileiro de papéis higiênicos e uma das maiores produtoras globais de celulose. A companhia também está construindo uma nova fábrica de tissue no complexo industrial de Aracruz, no Espírito Santo. O projeto avaliado em R$ 650 milhões adicionará 60 mil toneladas anuais à capacidade da Unidade de Bens de Consumo da Suzano.
Próximo ao horário do almoço, a ação da Suzano subia mais de 6%, se aproximando de R$ 53 e liderava a alta do Ibovespa… leia mais em Pipeline 05/06/2025

