A L4 Venture Builder, fundo de investimentos em startups da B3, aportou US$ 9,5 milhões (cerca de R$ 50 milhões) na CAF, especializada em identidade digital e prevenção de golpes. A IDtech aplica biometria, prova de vida e verificação de autenticidade de documentos para grandes bancos, fintechs e outras gigantes com transações de pagamentos, como Vivo, Localiza, iFood Pago e Magalu.

Os recursos serão usados para desenvolver ferramentas contra deep fakes e manipulações digitais feitas por inteligência artificial, além do uso de agentes com a própria tecnologia generativa para validar processos de empresas clientes, ganhando eficiência e escala.

“Esse investimento chega em um momento crucial porque o mercado está em forte transformação, com aumento dramático de fraudes com IA, que cresceram 700% globalmente no último ano”, diz Jason Howard, CEO da CAF. “Em 2024, os documentos digitais manipulados por IA superaram, pela primeira vez, as falsificações físicas.”

Os recentes ataques hackers a empresas de diferentes setores reforçam a relevância dessas soluções, diz Pedro Meduna, sócio-cofundador da L4, que busca teses ligadas à confiança. O mandato permite investir em empresas no Brasil e no exterior, em diferentes estágios e setores – da energia ao agro, do mercado imobiliário ao financeiro.

No caso da CAF, um dos atrativos foi o “efeito de rede” por atender inclusive grupos concorrentes. “É como um Lego. Cada cliente monta a solução conforme seu nível de exigência e, quanto mais clientes usam, mais robusta a plataforma fica. É o network effect.” O desafio, diz o CEO, é barrar os fraudadores, mas também garantir que os bons clientes tenham acesso sem barreiras.

Ele avalia que os brasileiros são muito abertos a novas tecnologias, em diversos casos com adoção mais rápida do que nos Estados Unidos ou na Europa, ainda que a alta incidência de golpes no país também aumente a demanda pelas ferramentas.

Howard fica baseado em Austin, no Texas, mas viaja a São Paulo com frequência, já que o foco da expansão das receitas, que ele espera manter em 80% ao ano com o novo aporte, está em Brasil e América Latina, essa última por demanda dos próprios clientes.

Criada em 2019 pelo empreendedor Leonardo Rebitte como solução interna para sua fintech de crédito ao consumidor, a Mutual, e sigla para Combate à Fraude, a CAF já havia levantado R$ 50 milhões em 2021 e uma série A de R$ 80 milhões em 2022, com participação dos cofundadores da Ethoca (da mesma área, vendida para a Mastercard), Darryl Green, André Edelbrock e Trevor Clarke, do ex-presidente da LexisNexis (de compliance e due diligence), Andrew Prozes, e da Parallax Ventures.

Com a transação, a L4 passa a ter 70% dos R$ 600 milhões comprometidos pela B3 já alocados em 17 investidas. Criado em 2022, o fundo tem cinco anos para aplicar o capital, sem prazo determinado para o retorno do investimento. Este é o primeiro aporte do CVC em 2025, que deve ser o ano de menor volume de alocação desde sua criação — foram nove investimentos em 2024 e seis em 2023.

“Para empresas de tecnologia, com os juros altos, a taxa de desconto aumenta muito. O mercado ficou mais difícil e fomos ainda mais criteriosos, mas a CAF se destacou e nos deu convicção para investir após uma due diligence extensa”, conta Meduna.

O nome L4 foi escolhido por reunir a décima letra após o B da B3, projetando um crescimento de 10 vezes para os negócios, e o 4, para ir além do que a B3 faz, como complementos ao negócio principal… leia mais em Pipeline 24/09/2025