M&A de petróleo recua 28,6% no Brasil, mas capital estrangeiro domina 70% dos deals
As fusões e aquisições no setor de petróleo e gás no Brasil somaram 10 operações no 1º semestre de 2025, uma queda de 28,6% frente às 14 transações registradas no mesmo período de 2024. A fotografia do semestre revela um mercado menos aquecido em número de deals, porém com maior protagonismo de capital estrangeiro.
Segundo o coordenador de pesquisas e sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra, houve “maior interesse de estrangeiros por empresas brasileiras neste ano, superando as operações nacionais”, o que indica que os ativos do setor seguem no radar global, mesmo em um ambiente doméstico desafiador.
Estrutura dos deals: estrangeiros em vantagem
- 70% das operações (7 de 10) envolveram empresas estrangeiras adquirindo participação em companhias estabelecidas no Brasil.
- 30% foram transações domésticas entre organizações brasileiras.
Esse deslocamento para operações inbound reflete, de um lado, apetite internacional por ativos de energia e, de outro, menor tração de negócios puramente locais em um cenário de juros elevados e debate fiscal que encarece capital e alonga decisões.
Principais operações concluídas e anunciadas no semestre
Entre os movimentos tornados públicos no período, destacam-se:
- Prumo Logística vendeu 70% da Vast Infraestrutura para a China Merchants Port.
- Petrobras e ExxonMobil adquiriram 10 blocos exploratórios na bacia da Foz do Amazonas.
- Petrobras e Petrogal compraram 3 blocos exploratórios na bacia de Pelotas.
- Karoon adquiriu o FPSO Cidade de Itajaí.
- Capixaba Energia foi adquirida por Petro-Victory e BlueOak.
Nota: o estudo considera transações concluídas no semestre. Acordos apenas anunciados, mas ainda não fechados, não entram na contagem.
Pipeline: o que pode mexer no placar no 2º semestre
Negócios relevantes em andamento — e não incluídos na estatística do semestre — podem alterar o quadro caso se confirmem:
- PRIO: proposta de compra de 60% da participação da Equinor no campo de Peregrino (bacia de Campos).
- Petrorecôncavo: negociação para adquirir 50% dos ativos de midstream da Brava Energia no Rio Grande do Norte.
Se concluídas, tais operações tendem a elevar o volume financeiro e reconfigurar a liderança por tipo de comprador, adicionando dinamismo ao segundo semestre.
Contexto setorial e impactos por segmento
A atividade de M&A no upstream (blocos e campos) seguiu mais presente no semestre, enquanto áreas de downstream, liquefação de gás natural (GNL), distribuição de gás e combustíveis renováveis (como etanol) tiveram movimentos pontuais. A seletividade do capital priorizou ativos com sinergias operacionais claras, perspectivas de ramp-up de produção e logística consolidada.
Brasil no espelho do M&A geral
No agregado de 43 setores da economia, foram 739 operações no 1º semestre de 2025 — queda de 4,8% ante 776 em 2024. Mesmo com a leve retração, dois vetores sustentaram a atividade:
- Investidores estrangeiros comprando empresas brasileiras: 199 transações, alta de 11,8% (de 178).
- Empresas brasileiras adquirindo ativos no exterior: 58 transações, alta de 23,4% (de 47).
Já os deals 100% domésticos — apenas com investidores brasileiros — diminuíram, sinalizando uma contração do mercado local no período, em linha com custo de capital elevado e incertezas fiscais… saiba mais em Click Petróleo 20/08/2025

