Magazord compra Livexa, de bem-estar íntimo, e mira consolidação no e-commerce de nicho
A Magazord, plataforma de e-commerce, adotou a estratégia de testar aquisições em escala menor antes de se capitalizar com investidores externos para potencializar os M&As. Nesta terça-feira (29/7), a empresa anuncia a terceira aquisição em dois anos: a escolhida foi a Livexa, especializada em soluções digitais para importadores e distribuidores de produtos de sex shop e bem-estar íntimo. O valor da transação pode chegar a R$ 10 milhões, a depender do desempenho da operação nos próximos três anos.
A Magazord nasceu a partir do e-commerce de revenda de smartphones criado pelo casal Ioná e Jaison Goedert, em 2010. Na rotina de trabalho, eles sentiram falta de um software de gestão e desenvolveram uma solução interna em 2015, que se tornou um produto para outros negócios da região de Rio do Sul (SC) e, posteriormente, se transformou na atual startup.
A empresa oferece um ecossistema de soluções para lojas online, desde ERP (sistema de gestão) integrado ao e-commerce até ferramentas de marketing, logística, meios de pagamento e oferta de crédito. Atualmente, a Magazord tem quase 400 colaboradores e atende cerca de 3 mil clientes em todo o Brasil.
De acordo com Jaison, a experiência de 15 anos no segmento mostrou que a especialização em nichos é uma fortaleza frente a grandes marketplaces. Foi a capacidade de entender as necessidades de um grupo que atraiu a Magazord para a Livexa (ex-Live-ecommerce) – a empresa, inclusive, aproveitou a aquisição para fazer o rebranding da marca. Com mais de 10 anos de história, a Livexa atua em um segmento pouco digitalizado e com baixa presença em grandes marketplaces.
A Magazord adquiriu 51% da Livexa e, caso as metas acordadas sejam cumpridas no prazo de três anos, o restante também será comprado. William Nogueira, CEO e sócio-fundador, e Rafael Marques, CTO e sócio-fundador, permanecerão na empresa pelos mesmos três anos (earn-out), no mínimo. A Livexa seguirá operando de maneira independente, potencializada pela estrutura da Magazord. “Temos recursos que implementamos nas adquiridas, melhorando a proposta de valor delas e acelerando o crescimento”, acrescenta Jaison.
A estratégia de construir um portfólio de marcas complementares com fortes atuações setoriais teve início no ano passado, quando a startup adquiriu a BW Commerce, focada em joias e semijoias, por R$ 15 milhões. Em março deste ano, anunciou a aquisição da Braavo!, de moda, por R$ 10 milhões.
Segundo Jaison, um time de três pessoas cuida do mapeamento de oportunidades de M&A. Cerca de 200 empresas foram rastreadas, mas muitas não passaram no funil por não estarem com “a casa em dia”, diz o fundador, citando pejotização e sonegação fiscal como alguns dos motivos para desistir de uma aquisição. “Olhamos para as pessoas, o produto e os clientes. As três adquiridas tinham empreendedores muito bons, que conhecem o mercado de atuação e complementares ao que já tínhamos de capital humano”, afirma.
A Magazord espera que parte do crescimento médio anual de 40% venha dessas movimentações. “Temos um desafio bem grande de atingir R$ 10 bilhões em vendas online (GMV) até 2030. Imaginamos que a Livexa possa representar 10% disso porque há muita oportunidade de ela processar, sozinha, R$ 1 bilhão até lá. O mercado está pulverizado e queremos que ela seja o maior player do setor”, declara. A startup projeta R$ 2,5 milhões de GMV em 2025.
Para bater a meta, a Magazord deve voltar às compras em breve. Segundo Jaison, a empresa está olhando para players dos setores automotivo, calçadista e supermercadista, com propostas na mesa para potenciais adquiridas, na fase de negociação do acordo de intenções. Jaison antecipa que a startup pretende captar uma rodada em 2026, de valor ainda não determinado.
“Somos geradores de caixa, mas alguns players dos quais estamos tentando nos aproximar para adquirir vão demandar cheques maiores, entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões. Por isso, estamos nos preparando para superar a marca de R$ 100 milhões de receita anualizada para captarmos algo mais relevante”, diz.
A estratégia é aproveitar a captação para dar gás para a operação de crédito da Magazord. Atualmente, a startup utiliza o veículo de crédito da Zoop e o capital vem do caixa da empresa. A frente financeira já representa 25% da receita da startup. “Acreditamos que o crédito vai avançar para outras áreas, como frete, que já estamos testando. Ainda não é maior por falta de recursos, só atendemos 10% da demanda hoje”, afirma. A ideia é criar um veículo com cerca de R$ 200 milhões para antecipar vendas a prazo… leia mais em PEGN 29/07/2025

