Mêntore Bank contrata UBS BB para IPO de até US$ 2 bi na Nasdaq
O Mêntore Bank contratou o UBS BB para estruturar seu plano de expansão e preparar uma abertura de capital estimada em US$ 2 bilhões na Nasdaq até o fim de 2028. O mandato, segundo o fundador e CEO Vanderson Aquino, inclui o desenho estratégico do banco para os próximos três anos.
“O UBS BB tem uma plataforma mundial que fecha com empresas brasileiras. Eles vão cuidar do nosso planejamento estratégico, avaliando mercados de atuação, o fortalecimento no Brasil e a eventual expansão internacional”, afirmou Aquino ao Pipeline.
O executivo explica que a aproximação partiu da instituição suíço-brasileira, interessada em replicar no Mêntore a trajetória de bancos digitais que assessorou, como o Nubank, com abertura de capital na Nyse no fim de 2021, e o C6, com a entrada do JP Morgan em 2021 e o aumento da participação para 46% em fevereiro.
“Acredito que a tendência maior seja abrir capital na Nasdaq, com forte apetite do mercado americano por fintechs, vendo o Brasil como um país ainda muito concentrado em grandes bancos”, diz Aquino. Atualmente, 82% do Mêntore pertence a Aquino e os 18% restantes pertencem a Omar Macêdo, da família da indústria de alimentos J. Macêdo.
O fundador considera vender uma fatia preferencialmente minoritária, de até 30%, a um grande banco ou investidor internacional. “A China tem mostrado apetite crescente por operações no Brasil, sempre como minoritária. É um mercado com grande aderência ao nosso modelo”, exemplificou.
O banco tem ampliado o market share com foco no público que recebe de um a três salários mínimos – cujos ordenados chegam a durar menor de três horas na conta –, oferecendo microcrédito emergencial com tíquete médio de R$ 250 e pagamento no mês seguinte. A inadimplência é de apenas 0,8%, sobre uma carteira de R$ 600 milhões com giro mensal.
Para o banqueiro de 41 anos que começou vendendo coco nos semáforos de Fortaleza aos 13, após o pai abandonar a família, o microcrédito oferecido pelo Mêntore não concorre com o consignado privado porque atende a necessidades distintas, além de ser oferecido apenas as empresas que utilizam o banco para folha de pagamento.
“O consignado hoje é fator de redução do poder de compra do trabalhador. Ele pega R$ 3 mil, paga R$ 300 de parcela e, no mês seguinte, tem ainda menos dinheiro para viver. Esse cliente acaba recorrendo a nós”, afirmou.
Aquino vê o negócio como uma missão pessoal. “Quem não consegue crédito formal acaba recorrendo a agiotas ou facções criminosas. A gente ajuda essas pessoas a não cair nesse tipo de relação”, conta. “Minha mãe, que me teve com 14 anos, pegava esse tipo de empréstimo quando eu era criança. Montei o Mêntore com base nessa experiência.”
Com valuation atual de cerca de R$ 3 bilhões – considerando um múltiplo de 10 vezes o lucro –, o Mêntore deve encerrar 2025 com lucro líquido de R$ 300 milhões, ante R$ 120 milhões no ano passado… leia mais em Pipeline 11/11/2025

