O M&A da leitura e da escrita: SuperAutor e Árvore unem operações
Startups que encontraram um caminho nos livros para fomentar a educação, curiosidade e habilidade de interpretação e escrita infantil, a SuperAutor e Árvore acabam de anunciar para suas equipes a fusão de suas operações.
São negócios complementares: enquanto a SuperAutor é uma plataforma para criação de livros por estudantes, a Árvore é uma plataforma de leitura digital, e ambas crescem por meio de parcerias com escolas. A base somada é de 11 mil escolas, com mais de quatro milhões de alunos.
A fusão une também dois empreendedores embrenhados na educação desde a infância. “Minha mãe é professora e meu pai vendia Barsa no Rio. Quando nasci, meus pais tinham 19 anos e abriram uma editora, que funcionava na nossa casa”, conta João Leal, CEO e fundador da Árvore, que se entendeu por gente no meio das feirinhas literárias. Depois, se formou em administração e ajudou a trazer tecnologia para a distribuição de conteúdo – dando origem à edtech em 2014.
São mais de 150 mil conteúdos na plataforma, incluindo textos em inglês e a possibilidade de o professor utilizar diferentes livros conforme as características dos alunos e ponto de interesse, estimulando esse leitor.
A Árvore já fez duas rodadas de investimento, em 2019 e em 2021, captando ao todo R$ 18 milhões – na última, o âncora foi o fundo Imaginable Futures, do fundador do eBay, Pierre Omidyar.
Já Bruno Damasco, CEO e fundador da SuperAutor, começou aos 13 anos de idade a desenvolver softwares e, aos 17, dava aulas de matemática. A facilidade com os números o levou para a faculdade de engenharia e, no início do curso, ele criou o software de gestão de escolas WPensar – que tomou tração e foi vendido anos depois para a Arco Educação.
“Foi uma experiência muito rica e em 2019 comecei, com sócios, a SuperAutor para me manter nesse universo da educação. As crianças vão criando histórias e textos ao longo do ano, que se transformam num livro de verdade no fim do ano”, conta Damasco.
Enquanto na Árvore o contratante é a escola, e o segmento público é relevante na receita, por meio de licitações, na SuperAutor o desembolso é dos pais, o que facilita a adoção pela escola dentro de seu orçamento.
“Há uma vocação internacional no negócio. Pais precisam estimular os filhos a escrever, interpretar e ler em qualquer lugar do mundo”, diz Damasco, lembrando que essa fronteira costuma ser um gargalo para companhias de educação, dadas as diferença curriculares e culturais.
Era uma intenção das duas companhias expandir para a atividade da outra. Quem acabou fazendo esse match foi um investidor em comum da Árvore e da SuperAutor, Américo Matiello Jr. “A complementariedade é clara, inclusive entre os fundadores. São três de cada lado, e sem sobreposição das principais habilidades”, diz Damasco, que agora se dedica à expansão nos Estados Unidos.
Ele será o CEO dessa frente internacional e tem passado as últimas semanas em conversas com escolas americanas, em viagens naquele país. “O número de escolas é semelhante, mas o tíquete médio é oito vezes maior”, diz ele. A primeira rede cliente no país tem 150 escolas.
Leal será o CEO da operação no Brasil, e as duas marcas serão mantidas a princípio. A holding que une as companhias ainda vai ser batizada. O plano é alcançar mais de 10 milhões de alunos no médio prazo… leia mais em Pipeline 11/12/2025

