Em 2025, investir em uma plataforma de streaming de filmes parece um negócio datado e sem tanta oportunidade em um mercado já dominado por nomes como Netflix e Disney. Mas não para a Sequoia, um dos mais tradicionais e importantes fundos de venture capital do mundo.

A gestora da Califórnia decidiu liderar uma rodada de US$ 100 milhões na britânica Mubi, conhecida pelos filmes cult e independentes do cinema mundial. O aporte também contou com a Summit Partners e a bilionária chinesa Zhang Xin, que já era investidora da Mubi no passado e senta no board da empresa, segundo o Financial Times.

A rodada avaliou a Mubi em US$ 1 bilhão, valor seis vezes superior aos US$ 150 milhões de 2018.

A Mubi nasceu há 18 anos como uma plataforma “alternativa” à ascensão de streamings como Netflix e Hulu. O intuito é o de exibir apenas filmes independentes e de arte, na contramão dos blockbusters e séries multimilionárias das rivais.

Por uma assinatura de R$ 30 mensais, seu catálogo inclui obras de Francis Ford Coppola, Andrei Tarkosky, Wim Wenders, Agnès Varda, François Truffaut e Pedro Almodóvar, entre outros. A empresa possui cerca de 20 milhões de assinantes pagos no mundo, uma fração das líderes Netflix (300 milhões) e Disney+ (150 milhões).

Nos últimos anos, porém, a empresa liderada pelo turco Efe Çakarel (que saiu do Goldman Sachs para fundar a plataforma em Londres) fez esforços para deixar de ser a opção B do mercado para se tornar um dos principais nomes de distribuição mundial no audiovisual.

O passo deu resultados, e a empresa comprou títulos premiados nos principais festivais de cinema e, mais recentemente, emplacou um filme no coração de Hollywood, o Oscar, com thriller de body horror “A Substância”.

O aporte da Sequoia vem com dois objetivos. Primeiro, expandir a operação global da Mubi, cuja sede é em Londres e se expandiu para 15 países com escritórios próprios (inclusive o Brasil). E aumentar a compra de títulos do cinema autoral para engordar o catálogo da empresa, que tem 20 milhões de assinantes no globo.

Em maio, a Mubi desembolsou US$ 24 milhões por “Die, My Love”, filme de Lynne Ramsay estrelado por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson e que se tornou um dos aclamados da lista principal do Festival de Cannes. A empresa superou Apple e Netflix na disputa pelo título, angariando a cifra mais alta da história do festival francês.

Para a Sequoia, o cheque na Mubi é uma novidade, levando um pouco de Hollywood para a indústria de venture capital. A gestora é conhecida por aportar em startups ou empresas iniciantes com potencial de alto crescimento. Em 1978, aportou US$ 150 mil na Apple, dois anos após Steve Jobs e Steve Wozniak fundarem a empresa e criarem o computador pessoal numa garagem em Palo Alto. A firma também aportou no Google um ano após a fundação da empresa, em 1999, e no YouTube, que foi comprado pelo Google em 2006 por US$ 1,65 bilhão.

“Somos um investidor do Vale do Silício, então a questão é: com quantas pessoas ao redor do mundo projetos como esse vão repercutir? Nossa opinião é que isso vai repercutir com muito mais pessoas do que qualquer um imagina”, disse Andrew Reed, partner da Sequoia, em entrevista ao Financial Times. Ele acrescenta que a empresa é lucrativa e de alto crescimento.

No ano passado, a gestora rival Thrive Capital investiu na produtora norte-americana de cinema independente A24, outra queridinha do cinema autoral agora avaliada em US$ 3,5 bilhões… leia mais em Pipeline 02/06/2025