O que mais tira o sono das lideranças
A instabilidade do cenário macroeconômico é a principal preocupação da maioria (65%) dos líderes de empresas no Brasil – índice maior do que a média global (63%). O tema aparece antes de inquietações como a escassez de mão de obra qualificada (55%), mudanças no comportamento do consumidor (42%) e desafios ligados à carga tributária, transformações tecnológicas e regulações de mercado (38%).
Os dados são de uma pesquisa realizada pela Russell Reynolds Associates, multinacional de busca, sucessão e desenvolvimento de lideranças, com 3.154 executivos de 46 países, incluindo o Brasil. O levantamento, obtido com exclusividade pelo Valor, foi finalizado em março de 2025.
Do total de entrevistados, a maioria ou 85% ocupam posições de liderança sênior, incluindo conselheiros, CEOs, diretores executivos e líderes de unidades de negócio de corporações de médio e grande porte, em setores como serviços financeiros, saúde, indústria e tecnologia.
O dado mais alarmante do estudo é o descompasso entre a percepção do risco [dos negócios] e o nível de preparo dos gestores, alerta Jacques Sarfatti, sócio-diretor da Russell Reynolds Associates e líder da prática de avaliação de conselhos de administração e de CEOs no Brasil. Apenas 40% dos líderes globais afirmam estar prontos para enfrentar um cenário de incertezas, destaca.
“O dado revela uma lacuna entre a consciência estratégica e a capacidade real de resposta”, anota. “Em contextos de alta volatilidade, a presença de conselhos mais resilientes e gestores com visão sistêmica é mais crítica.”
Sarfatti, que acumula mais de 25 anos de experiência em áreas como governança corporativa, empresas familiares e liderança sênior, diz que a falta de equilíbrio entre a habilidade de lidar com problemas e a capacitação dos executivos aponta para um “ponto cego estrutural”.
“Muitas organizações ainda operam com modelos de liderança e governança desenhados para contextos estáveis”, analisa. “Em um ambiente marcado pela disrupção [nos negócios], o que se exige são dirigentes ‘integradores’, capazes de alinhar propósito, cultura e execução de forma coordenada. Isso é o que diferencia as empresas que navegam na incerteza daquelas que apenas reagem a ela.”
Diante do quadro desenhado pelo levantamento, a recomendação do especialista é que as companhias acelerem a qualificação do C-level. “É essencial fortalecer a governança, profissionalizar ainda mais os conselhos e desenvolver talentos capazes de atuar com resiliência, visão de longo prazo e capacidade de resposta a riscos multifatoriais, sejam econômicos, regulatórios, tecnológicos ou sociais”, diz…. saiba mais em Valor Econômico 16/08/2025

