Omni capta R$ 500 mi com apoio do BID para financiar veículos
A Omni, conhecida pelo financiamento de carros usados para as classes C e D, captou R$ 500 milhões em letras financeiras com investidores institucionais e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para triplicar sua carteira dos atuais R$ 6 bilhões para R$ 20 bilhões em 2031.
“Devemos ter um crescimento entre 18% e 19% neste ano e de 16% a 18% ano que vem. Estamos entre os 10 maiores financiadores de veículos no Brasil e nosso objetivo é estar no top 5 até 2031”, diz o CEO da Omni, Heverton Peixoto. Essa é a primeira captação com esse instrumento desde a reestruturação da empresa, após a disparada da inadimplência na pandemia.
A operação foi realizada em duas séries, com prazo de quatro anos e custo de CDI mais 2%. A primeira, de R$ 300 milhões, foi distribuída ao mercado, e a segunda, de R$ 200 milhões, foi subscrita pelo BID. “Tivemos o dobro da demanda na primeira série, o que mostra o apetite do mercado”, afirma Peixoto.
A parceria com o BID ainda envolverá a assessoria técnica para a emissão de um CDB com selo ESG a ser colocado no mercado em até dois anos. “Temos uma relação de mais de 10 anos com o BID que tem nos ajudado a financiar empreendedores com menor acesso a crédito”, disse Peixoto.
A companhia tem aproveitado a retração do mercado de crédito com a alta da taxa de juros para ganhar mercado. “Enquanto o financiamento de veículos leves e de caminhões praticamente não cresceu, nós tivemos avanço de 10% em originação”, diz o executivo.
A taxa de inadimplência acima de 90 dias tem se mantido sob controle e caiu cerca de 1 ponto percentual em relação ao ano passado, ficando , na média, em 9% já que atua em segmento de maior risco, ainda da do mercado, que subiu para 5,3% em setembro frente aos 4,5% de um ano antes, considerando todas as faixas de renda.
O financiamento de veículos representa 85% da carteira da Omni, que ainda oferece empréstimos com garantia e microcrédito para microempreendedores, com um programa voltado a mulheres no Nordeste, o Elas, apoiado pelo IFC, do Banco Mundial. Como reportado pelo Pipeline, a Omni busca um sócio estratégico para essa operação, gerida pela Finsol.
A companhia, que está presente em 360 municípios, agora se prepara para um novo ciclo de expansão, ampliando o número de agentes de financiamento de 120 no fim de 2024 para 250 em 2028, além de investir em processo e canais digitais com o uso de inteligência artificial. “Vemos oportunidade de aumentar a penetração em cidades entre 500 mil e dois milhões de habitantes, especialmente ligadas ao agronegócio”, diz Peixoto.
Para financiar esse crescimento, a Omni prevê novas emissões de letras, CDBs e securitização. “Os CDBs vão continuar sendo nosso principal instrumento de financiamento em termos de volume”, disse Peixoto.
A Omni notou um aumento na demanda pelos seus CDBs após a decretação da liquidação do Banco Master, com muitos investidores migrando para instituições financeiras mais conhecidas. “Estamos há 32 anos no mercado e vimos um recorde de captação nos últimos cinco dias”, disse Peixoto… leia mais em Pipeline 26/11/2025

