As gestoras Oxygea, fundo de corporate venture capital da Braskem, e a Indicator Capital, voltada para deep tech e IoT, juntaram-se para liderar um aporte na Multiledgers, plataforma de infraestrutura de blockchain com foco em sustentabilidade.

A startup brasileira, fundada em 2015, faz a rastreabilidade e a gestão de ativos ambientais das empresas, atuando com agronegócio e energia renovável, e tem a Eletrobras entre seus clientes.

Em uma rodada que totaliza R$ 5,8 milhões, as duas casas entraram com R$ 2,75 milhões cada, e o restante do cheque foi complementado pelo VC colombiano Koyamaki Ventures, especializado em criptomoedas. Trata-se do primeiro cheque da Indicator em blockchain, tecnologia que permite o registro de ativos de forma universal, segura e transparente.

A Multiledgers quer utilizar a rodada para finalizar as duas principais plataformas de blockchain da startup: rastreabilidade e emissão de certificados de ativos ambientais. Com os produtos, a startup quer fornecer toda a infraestrutura para conectar empresas, certificadores, auditores e outros agentes da cadeia de sustentabilidade à solução da empresa. “O cheque vem para acelerar esse desenvolvimento e crescer a equipe”, conta Paulo Brizola, fundador e CEO da Multiledgers, acrescentando que tem pressa para atender à demanda por soluções ESG do mercado: “Não queremos perder esse cavalo selado”.

A Eletrobras Furnas foi o principal caso de aplicação da Multiledgers. Em 2021, a startup desenhou um protocolo de “selo verde” RECFY, inspirado no formato internacional I-RECs, para certificar a geração de energia elétrica renovável da companhia. Ao todo, foram emitidos 2,6 milhões de certificados desse tipo. Segundo Brizola, a expectativa é que a startup se especialize nesse tipo de segmento, tornando-se líder na certificação de RECs no Brasil — esse mercado pode movimentar até US$ 100 bilhões no mundo até 2030, segundo a SP Global.

Para a Oxygea, a Multiledgers casa com os interesses de sustentabilidade do CVC da Braskem. A gestora acredita que a tecnologia da startup pode ser utilizada para otimizar a gestão de RECs e com a auditoria contínua de itens por meio de rastreabilidade. “Vemos sinergias de curto e médio prazo com a nossa corporação”, explica Vitor Moreira, managing director da Oxygea.

A Indicator Capital afirma que a utilização dos produtos da Multiledgers pode facilitar a captura de dados por meio da tecnologia de IoT industrial, tese da gestora fundada pelos irmãos Derek e Thomas Bittar com Fabio Iunis em 2022. “O protocolo blockchain é uma tese muito forte, mas não é fácil encontrar oportunidades de impacto nessa área”, diz Derek Bittar. “Foi uma grande satisfação realizar esse primeiro deal em blockchain na história da Indicator.”

O cruzamento de blockchain com sustentabilidade não é novo. Nos últimos anos, essa área vem aproveitando a infraestrutura dessa tecnologia para realizar a certificação e rastreabilidade de bens na cadeia produtiva, atendendo a demandas por transparência de governos por todo o mundo, em especial a União Europeia. Na prática, a solução permite acompanhar toda a trajetória de um produto, da colheita ao trajeto à gôndola do mercado — isso é feito ao permitir que todos os elos da cadeia de suprimentos possam se conectar à plataforma, que atua como um livro de registros. Uma startup dessa área é a Ecotrace, que atua com carne bovina e aviária, couro e algodão. Nesse segmento, a Multiledgers diz que vai iniciar nos segmentos de agronegócio (na cadeia de suínos), construção civil (aço) e em saneamento…. leia mais em Pipeline 05/11/2024