Por que a Alelo pode livrar o iFood de uma dor de cabeça em benefícios
Perto de fechar sua maior aquisição, o iFood pode entrar com tudo no mercado de benefícios – tirando do caminho ameaças de suspensão da licença da empresa junto ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), em um embate de quatro anos com o Ministério do Trabalho.
A companhia negocia a compra da Alelo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil, como revelou o Valor. A operação está avaliada entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões.
O iFood entrou na área de benefícios em 2020 com um cartão único, que pode servir como vale-alimentação, vale-refeição, mobilidade, farmácia, cultura e outras benesses dadas por empresas aos trabalhadores. A estratégia do cartão único vinha acompanhada de duas novidades: podia ser personalizada remotamente pelo empregador e permitia a transferência de saldo de uma modalidade para a outra.
A solução, porém, virou uma dor de cabeça para a companhia. Em 2021, o então Ministério do Trabalho e Previdência argumentou, em processo administrativo, que a prática de transferência de saldo de vale-alimentação para vale-refeição (e vice-versa) violava uma portaria de 2002, que exigia que esses benefícios se mantivessem separados. O governo então pediu a suspensão da licença do iFood ao PAT, tirando a companhia do segmento de VAs e VRs e freando os planos do app.
O iFood negou que a transferência estivesse desvirtuando o PAT e recorreu da decisão. A empresa afirma que se baseia em uma portaria de dezembro de 2021, que substitui a de 2002 e não veta a transferência de recursos entre as duas modalidades. Ainda, companhia afirma que se trata de “prática muito comum no setor” e que “apenas o iFood Benefícios foi o único a ter a funcionalidade questionada”.
Em dezembro, o juiz Charles Renaud de Morais, da 21ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, acatou o entendimento do Ministério do Trabalho, entendendo que a portaria de 2021 mantém a exigência. Como o processo ocorreu no âmbito administrativo, ainda sem julgamento, as operações do iFood seguem vinculadas ao PAT.
Nos últimos meses, o iFood buscou o ministro Luiz Marinho para normalizar sua situação e não perder a licença do PAT, apurou o Pipeline. Mas o ministro estaria unindo no ensejo a regulamentação do trabalho de motoboys, uma das promessas de campanha do governo Lula.
Nesse cenário, a aquisição da Alelo daria maior força ao iFood, adicionando seis milhões de usuários em um cartão sem questionamento. A frente de benefícios é uma das principais apostas do aplicativo de delivery.
Atualmente, o iFood Benefícios é aceito em 11 milhões de estabelecimentos, dos quais quatro milhões são inscritos no PAT. Ao todo, a companhia tem 38 mil empresas como clientes, incluindo Ambev, XP, B3, Petlove, Nubank e Petrobras. A meta é ter 1,5 milhão de usuários até maio de 2026… leia mais em Pipeline 23/07/2025

