Prosus se desfaz de ações da Meituan – e isso tem tudo a ver com Brasil
O grupo Prosus começou a se desfazer das ações que detém na companhia chinesa de delivery Meituan. A gigante asiática vale em bolsa em US$ 99 bilhões e a Prosus tinha 4,5% disso. A posição ainda estaria acima de 3% depois de vendas a mercado nas últimas semanas, mas esse movimento deve continuar. A venda tem tudo a ver com a estratégia do grupo no Brasil, afirmam fontes com conhecimento do assunto.
A Prosus é controladora do iFood, maior empresa de delivery no mercado brasileiro, e é comandada hoje por Fabrício Bloisi, o baiano que fundou o negócio por aqui. A Meituan, por sua vez, está começando a estruturar sua operação local, por meio da marca Keeta. A perspectiva é já começar a funcionar no fim deste ano, com agressividade comercial.
A Keeta quer ter mais de 100 mil entregadores em três a cinco anos e já separou ao menos US$ 1 bilhão para investir aqui. A companhia tem conversado com potenciais alvos de aquisição. Já teve conversas com grandões como o Rappi (que nega mas teria operação à venda, segundo fontes) e com empresas de menor porte como a brasileira Zig (antiga Zig Pay), para integração de soluções, mas ainda sem avanço, apurou o Pipeline. A Zig também tem conversado com diversos investidores, assessorada pelo Bradesco BBI, em busca de capitalização, como revelou o Valor.
“A Meituan não vai ficar segurando qualquer decisão importante por causa de um acionista com menos de 5%”, diz um executivo que tem ajudado na estruturação da operação chinesa aqui. “Eles têm olhado muita coisa, falado com muitas empresas de soluções de pagamentos e outros segmentos, para eventual aquisição ou parceira comercial mesmo.”
A estratégia histórica de M&A da Meituan, aliás, parece o playbook que a Prosus tem aplicado, ao comprar empresas de passagens aéreas, como Despegar, e outros serviços complementares ao delivery de alimentos. No Brasil, o grupo quer defender a liderança do iFood e pode usar parte desse capital das ações da Meituan como reforço, inclusive para novos M&As.
Além das aquisições feitas pela holding, a empresa também tem sido compradora ativa. Recentemente, comprou participações minoritárias em Shopper e CRMBonus, com opção de controle, e negocia a aquisição da Alelo, de benefícios.
“Faz muito mais sentido capitalizar o negócio com essa fatia, que é muito pequena, para proteger uma geografia importante. E evita qualquer desgaste entre as empresas como investidor, deixando a briga para o comercial”, diz outra fonte, ligada à Prosus. É muito dinheiro: a fatia valia cerca de US$ 4 bilhões, o que corresponde a mais de R$ 22 bilhões. Mas esse capital não viria somente para a operação brasileira.
Deixar a presença no capital do grupo Meituan também libera a concorrente para criticar (e pressionar) as práticas trabalhistas da chinesa. Um executivo do alto escalão do iFood se incomoda que muito se tem falado sobre a chegada da rival, mas nada sobre suas “piores práticas” com os entregadores, enquanto o iFood sofre escrutínio recorrente sobre o tema trabalhista. Mas fica mais difícil apontar o dedo se o controlador for sócio… leia mais em Pipeline 01/08/2025

