A agtech argentina Puna Bio concluiu a rodada série A de capitalização e atraiu a Fundação Gates, instituição filantrópica fundada por Bill Gates, criador da Microsoft, e sua ex-exposa Melinda Gates.

A fundação, que financia programas globais para combater a desigualdade social e melhorar a saúde em países em desenvolvimento, tem cerca de US$ 73 bilhões sob gestão. Ainda são poucos os aportes em companhias latino-americanas e este é o primeiro em uma startup argentina.

O que atrai a Gates Foundation é a oportunidade de levar a tecnologia de biofertilizantes e bioinsumos desenvolvida pela Puna para países da África, para desenvolver novas soluções específicas para aquele continente que ajudem a melhorar a produtividade de pequenos produtores e garantir a segurança alimentar a nível global. A África é um dos principais focos da fundação de Bill Gates.

A ideia é trabalhar nas aprovações regulatórias naquele continente neste ano e começar os ensaios a campo no ano que vem, diz Franco Levis, CEO e cofundador da Puna Bio, ao Pipeline. “O acesso a fertilizantes e insumos a um custo acessível é um problema na África e pretendemos pesquisar tecnologias que ajudem a resolver problemáticas que são mundiais relacionadas à degradação do solo e mudanças climáticas, adaptadas ao continente”, diz.

O aporte da Fundação Gates ampliou o montante levantado na série A anunciada em abril, cujo valor não foi revelado. O investimento foi liderado pela Corteva Catalyst, braço de venture capital da gigante americana de insumos agrícolas Corteva, e foi acompanhado pela a At One Ventures, SP Ventures, Dalus Capital, Global Latam, Builders VC e Grid Exponential.

Os recursos serão usados para financiar o desenvolvimento, a produção e a distribuição dos biofertilizantes e bioinsumosa partir de bactérias extremófilas, que existem há 3,5 bilhões de anos e são pesquisadas pela agtech no deserto de Puna – daí o nome da empresa. Segundo a companhia, elas ajudam na produção e desenvolvimento do campo mesmo em condições adversas.

A empresa também pretende investir na expansão internacional para o Paraguai, Estados Unidos e Brasil, onde deve começar a distribuir os produtos em escala comercial ainda neste ano. “No Paraguai já estamos atuando, devemos ter a licença regulatória para comercializar os produto no Brasil neste ano e iniciar a operação de distribuição nos Estados Unidos em 2026”, diz Levis.

O foco no Brasil é na comercialização de produtos para tratamento de sementes voltados para culturas como soja, feijão e algodão. A Puna já tem subsidiária comercial no país, onde atua em parceria com a Gaia Agrosolutions para distribuição dos produtos. “Vamos fazer isso mais ativamente com a contratação de time local”, conta o CEO. A startup tem cerca de 150 clientes… leia mais em Pipeline 15/07/2025