QED faz aporte na Noodle, a fintech dos influencers
A Noodle, fundada em 2020 para ser a fintech economia criativa, esperou quatro anos para ver o negócio entrar nos eixos. Primeiro, deu o pontapé com foco em oferecer crédito para profissionais de música. Depois de não vir o resultado esperado, em 2023 ampliou o escopo para games e cinema. Em fevereiro deste ano, fez nova tentativa, agora no mercado de influenciadores e criadores de conteúdo de redes sociais – e só aí que vingou: o volume transacionado na plataforma cresceu mais de dez vezes. Esse trabalho atraiu a gestora americana QED, conhecida por investir em gigantes brasileiros como Nubank e QuintoAndar, e que acaba de fazer um aporte seed de R$ 5 milhões na startup.
“Ao nos adaptarmos para o mercado de influenciadores, o nosso negócio explodiu, sem gastarmos um centavo com marketing”, conta Igor Bonatto, fundador e CEO da Noodle, ao Pipeline. “Foi aí que decidimos focar nesse mercado. Mas um dia voltaremos para as outras categorias.”
Não é coincidência. A economia criativa é considerada um dos setores mais promissores para os próximos anos. O Goldman Sachs estima que, nos Estados Unidos, esse segmento deve crescer dos US$ 250 bilhões atuais para US$ 470 bilhões até 2027, impulsionado por plataformas de lives e vídeos curtos, como TikTok, Instagram, Discord e Twitch.
Os dados no Brasil são escassos, mas o sucesso do país nas redes sociais, que fisgam os brasileiros mais do que em outros países, indica a efervescência do setor, com Felipe Neto, Casimiro e Porta dos Fundos como expoentes. O problema é que se trata de um mercado bastante informal para o pequeno ou médio criador, que negocia as “publis” com amontoados de planilhas, e-mails e até mensagens de WhatsApp.
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A Noodle quer ir atrás desse criador em ascensão. Atualmente, o principal produto é um score de inteligência artificial. Por meio de dados públicos obtidos de redes sociais, ou informações privadas cedidas consensualmente pelos criadores de conteúdo, a startup consegue cravar um número para prever a monetização futura de um influenciador. Se o profissional ganha cerca de R$ 10 mil ao mês do Instagram e TikTok, a startup consegue oferecer crédito antecipando um ano de “salário”, com crédito de 3% de juros ao mês.
Além disso, a startup oferece uma plataforma de ERP (com taxa cobrada pelo uso), na qual agências e influencers conseguem automatizar pagamentos e enviar notas fiscais. E há uma parceria com a RemessaOnline, do Ebanx, para exibir a cotação do câmbio a taxas em paridade com o mercado – as plataformas de redes sociais pagam os criadores em dólar, outra dor de cabeça que esse mercado enfrenta, com os preços flutuando conforme a negociação da vez.
A ideia de criar a startup em 2020 veio de uma dor de Bonatto. Formado em audiovisual, o cineasta, com carreira em videoclipes e projetos publicitários, suou para tirar do papel um longa-metragem de ficção científica que, no fim, nunca saiu dos rascunhos por falta de recursos financeiros. A captação para artistas, diz, é um dos problemas mais comuns na indústria. Foi aí, em meio à pandemia de covid-19, quando se isolou do vírus em Curitiba, que o cineasta resolveu virar startupeiro e começou a trabalhar na Noodle, com um investimento inicial de R$ 1,2 milhão da High Capital e de outros investidores-anjos no segundo semestre daquele ano.
Em 2023, a startup levantou outros R$ 18 milhões com a SRM Ventures e a Honey Island Ventures, ainda apostando em ser a fintech de gravadoras, produtoras e editoras. “Mas precisamos dar com a cara no muro para enfim entender o que precisávamos fazer para ter aderência ao produto”, confessa o CEO.
Hoje, a Noodle soma mais de 5 mil influenciadores e criadores, que negociam com 200 agências cadastradas na plataforma. Ao todo, são mais de R$ 300 milhões transacionados em pagamentos entre as duas partes, com investimentos de mais de R$ 20 milhões em projetos. Alguns clientes da empresa são o Kondzilla, a PineappleStorm e o BR Media Group.
A injeção de capital do QED vai ser utilizada para investir em marketing, focando na aquisição de usuários por meio de eventos e criação de conteúdos específicos para o mercado de influenciadores. “Voamos por muito tempo por fora do radar. Agora é o momento de sermos vistos pelo mercado”, diz Bonatto… leia mais em Pipeline 20/09/2024

