Quero Educação mira trilha até o consumo e muda de nome
A Quero Educação, conhecida pela marca Quero Bolsa, está concluindo uma reorganização societária que vai resultar na saída de fundadores, antigos C-level e alguns investidores, com a recompra de ações e stock options que deixará GP Investments e Iporanga Ventures entre os acionistas mais relevantes.
Segundo o CEO Bruno Passarelli, a operação foi financiada pelo caixa da Quero, sem aportes novos, mas com aprovação do conselho formado por GP, Iporanga e um independente. Sem abrir valores ou percentuais envolvidos, ele explica que, na prática, as duas gestoras serão “desdiluídas” do negócio.
A virada será coroada com a mudança de nome e estratégia, da agora Qeevo (lê-se “quivo”, acrônimo de Quero Educação Evolution e também fusão do antigo nome com Allevo – de “evolution for all” –, plataforma lançada em junho que combina cursos livres de diferentes provedores com comunidades de experts e ofertas de parceiros ligados às trilhas de cada aluno, para ir além da faculdade.
“Deixamos de olhar o ensino superior como fim, mas como meio. As pessoas buscam transformação. O que estamos fazendo é expandir o mercado endereçável”, que Passarelli estima movimentar R$ 80 bilhões e crescer a taxas em torno de 30% por ano: o de cursos não regulados, com seu universo literalmente infinito de temas, que podem incluir hard skills e soft skills.
A nova solução já tem 65 mil alunos, mas nem de longe a intenção da Qeevo é abandonar ou mesmo reduzir a importância do Quero Bolsa, que seguirá sendo sua principal iniciativa, hoje responsável por quase 10% das matrículas da educação superior privada no Brasil, com mais de 1,6 milhão de usuários e 130 milhões de acessos anuais.
“Nosso propósito era muito forte, mas nos limitava. Éramos um player puramente transacional, com recorrência baixíssima. Quantas vezes uma mesma pessoa faz graduação na vida?”, analisa o empreendedor.
Com a mudança, a empresa passa a se definir não mais como edtech, mas como uma “aspiration tech”, que conecta educação, aspirações pessoais e consumo real, segundo Passarelli. “Se você estiver engajado com um conteúdo de saúde, por exemplo, eu te trago empresas de assessoria de corrida ou cupom de tênis para aquela finalidade.”
“Eles provaram disciplina de execução e visão estratégica para transformar a Qeevo em um ecossistema de aspiração humana e consumo real”, diz Leonardo Teixeira, sócio da Iporanga Ventures junto com Renato Valente, Guilherme Assis e Robinson Dantas. “A Qeevo possui uma vantagem competitiva rara, combinando dados proprietários, efeitos de rede e margens superiores. É um caso único de impacto aliado a um modelo escalável que pode gerar valor desproporcional para os colaboradores e para os acionistas”, avalia Rafael Souza, Diretor da GP Investments.
Há um ano e meio como CEO, ele mesmo chegou à empresa em um momento de reformulação: quando a Quero comprou suas duas startups, Descubra o Mundo e Skola – de intercâmbio e um e-commerce de cursos –, em 2021. Criada em 2008 pelo engenheiro Bernardo de Pádua quando ainda era um estudante do ITA, para ser uma rede social de alunos universitários, a Quero ganhou tração em 2013 com o lançamento do Quero Bolsa, que conecta estudantes com instituições de ensino dispostas a oferecer descontos de até 80%.
Com Ebitda positivo e operação em breakeven há dois anos, a Qeevo projeta faturar R$ 120 milhões em 2025. O plano é alcançar 100 milhões de pessoas até 2030 com a diversificação de produtos. “O movimento de refundação não se limita a uma nova marca, mas representa uma reconfiguração completa do modelo de negócios”, conclui Passarelli… leia mais em Pipeline 30/09/2025

