A Nissan começou a procurar um parceiro estratégico no setor de tecnologia, depois que o CEO Makoto Uchida avisou ao chefe da Honda que encerraria as negociações da fusão – transação que criaria a quarta maior montadora do mundo.

A busca por novos sócios se concentrará em nomes de fora da indústria automotiva e será abrangente em termos da área de atuação dos interessados, segundo fontes com conhecimento do assunto. Alguns membros do conselho de administração também estão abertos a considerar uma aliança com a taiwanesa Foxconn, a fabricante terceirizada do iPhone.

No fim de 2024, a fornecedora da Apple abordou a Renault, que tem aliança com a Nissan, para sondar a aquisição da participação da montadora francesa na japonesa, o que deu origem à frenética, porém breve, rodada de discussões de fusão com a Honda. Uchida se reuniu com o CEO da Honda, Toshihiro Mibe, nesta quinta-feira de manhã, no Japão, para informá-lo sobre a intenção do conselho de encerrar as discussões de fusão anunciadas em dezembro.

As negociações desmoronaram depois de a Honda ter proposto, no fim de semana, que a Nissan aceitasse uma nova oferta, pela qual se tornaria uma subsidiária integral, um desvio da estrutura acordada de início, de uma holding conjunta. Na última quarta-feira, a reunião do conselho da Nissan decidiu pelo fim das negociações de fusão, pois a Honda havia informado que a nova oferta era do tipo “pegar ou largar”, algo que não aceitariam por medo de perder poder de decisão e ver a marca enfraquecida sob a administração da Honda. Nissan e Honda não quiseram comentar as informações.

Após o início das discussões formais, as conversas logo se transformaram em uma briga ferrenha. A Honda acusava a Nissan de ser lenta demais em seu plano de reestruturação, enquanto a Nissan argumentava que a nova oferta da Honda a pegara de surpresa. Desde o início, analistas estavam céticos em relação à união, dada a grande diferença nas culturas empresariais de ambas — a Nissan tem orgulho de seu talento em engenharia e a Honda tem um longo histórico de independência. A francesa Renault vem reduzindo sua participação de 36% na Nissan desde a reestruturação de sua aliança de 25 anos acertada em 2023.

O fim das negociações de aquisição deixa a porta aberta para a Foxconn reacender suas ambições de adquirir a participação da Renault na Nissan e usá-la como plataforma para expandir sua unidade de veículos elétricos. Jun Seki, diretor de estratégia da divisão de veículos elétricos da Foxconn, conhece bem a Nissan, pois foi o terceiro principal executivo na hierarquia da empresa até o fim de 2019… leia mais em Pipeline 06/02/2025