Uma fábrica de fornos do interior de Minas a caminho da bolsa de Madri
Enquanto algumas empresas brasileiras cogitam um IPO na Nyse ou na Nasdaq para driblar a seca local de ofertas, a fabricante de equipamentos para cozinhas industriais e panificação Prática deu início a um processo que deve resultar em sua listagem na Espanha. A companhia vai estrear no BME Growth, um segmento da bolsa de Madri para companhias de pequeno e médio porte em expansão.
A operação, que pode ser concluída até junho, deve levantar de 15 a 20 milhões de euros numa oferta primária, destinada a financiar investimentos e potenciais aquisições. O valuation atual da Prática está em torno de 100 milhões de euros. Segundo o CEO André Rezende, um banco ainda deve ser contratado para ajudar na aproximação com potenciais investidores europeus.
Rezende fundou a companhia em 1991 em sociedade com o irmão, Luiz Eduardo, na mineira Pouso Alegre. A Prática vende para mais de 50 países, que respondem por 20% da receita de R$ 470 milhões neste ano e projetada em R$ 540 milhões em 2026. A listagem no exterior vem da necessidade estratégica e financeira. “O nosso grande competidor de capital no Brasil é o próprio governo, que paga 15% ao ano, e leva o custo a quase 20% para nós”, diz o CEO.
Madri não é uma escolha aleatória. Um convênio entre a BME e a B3 permite uma dupla listagem, na qual ações emitidas em euros podem ser negociadas por investidores brasileiros, com bloqueio dos papéis equivalentes em Madri. A Prática será a primeira da América Latina a acessar diretamente a BME Growth, com requisitos de governança e publicidade de informações no padrão europeu.
A companhia até tem capital aberto no Brasil, onde é listada sob o ticker PTCA3 e divulga balanços trimestrais, uma vez que teve o BNDESPar como acionista por 10 anos e essa era uma exigência da instituição de fomento. Mas as ações não têm negociação. No segmento da BME em que será listada, também não há expectativa de liquidez de imediato.
“Não é nosso objetivo ter negociação forte em mercado agora. Esperamos atrair investidores que possam apoiar o investimento com smart money, para crescer, administrar bem o cap table e criar um cinturão que gere liquidez para quando chegar a hora de uma captação maior”, diz Rezende. No BME Growth, as empresas podem migrar para o segmento principal da bolsa, como acontece no Bovespa Mais. “Nossa meta é manter o track record de crescimento consistente com preservação de margens. Não é o tamanho da companhia, é o valor da companhia.”
O empresário avalia que, para ser viável no mercado contínuo de negociação, a Prática precisa chegar a um valuation de 300 milhões de euros, o que ele espera que ocorra em … leia mais em Pipeline 04/12/2025

