A Gaus conseguiu passar pelo disputado filtro da Y Combinator (YC), a mais importante aceleradora de startups do mundo. Trata-se da única brasileira na edição deste trimestre, que selecionou 180 startups em um processo de 30 mil candidatas de todo o mundo – uma taxa de aprovação de 0,6%. Agora, a novata vai finalizar o programa de oito semanas em São Francisco, nos EUA, e usar o cheque de US$ 500 mil para se lançar no mercado até o fim deste ano.

A tese da Gaus é uma plataforma para ajudar nas decisões de investimento de pessoas físicas em ações americanas, ao automatizar o research. Usando inteligência artificial, vasculha desde as oscilações em bolsa, comentários de analistas de bancos a postagens de CEOs e CFOs em redes sociais para criar relatórios a partir do interesse e portfólio de cada cliente – um catadão monetizado na assinatura de US$ 19 mensais. Segundo a startup, serão monitoradas cerca de 30 mil ações, mais ETFs e criptomoedas, dos Estados Unidos, único país onde a startup quer atuar.

A Y Combinator tem preferido acelerar negócios intensivos em uso de inteligência artificial e com escala potencialmente global. “Fizemos uma entrevista de 10 minutos com dois partners da YC, e aí, no mesmo dia, às 10 da noite, nos ligaram para dizer que passamos”, conta Bruno Koba, CEO da Gaus, que fundou a companhia com Daniel Hochstetler.

Agora, Koba e Hochstetler trabalham para finalizar a plataforma e colocar no ar até 12 de setembro, quando termina o programa da YC. Atualmente, há mil pessoas na lista de espera, com alguns usuários em fase de testes, diz o CEO. O lançamento global está previsto para final do ano, já incluindo o Brasil, onde o interesse por papéis americanos é crescente. Por aqui, Koba avalia que o produto pode ter apelo para a base de clientes de firmas como Avenue e Nomad, que atuam justamente com a pessoa física que mira o exterior.

A Gaus é o primeiro negócio da dupla. Eles se conheceram nos Estados Unidos, durante o mestrado de Koba em Stanford. Ele passou por Nubank e Monashees, enquanto Hochstetler atuou nas fintechs americanas Robinhood e Stripe. A ideia da Gaus veio em fevereiro, começando a sair do papel neste mês de julho com a aceleradora.

A peneira é fina na Y Combinator, mas tem passado representantes brasileiros a cada temporada. Companhias como Salvy, Resend e Drip ganharam um empurrão por lá. O programa presencial, com quatro edições ao ano, reúne os fundadores de startups em palestras, brainstormings e mentoria com figurões do Vale do Silício, tanto empreendedores já consagrados quanto investidores de venture capital. “Tem um ritmo muito rápido, é bem intenso, e dá para sentir de fato que é um programa de aceleração”, diz Koba… leia mais em Pipeline 29/07/2025