Virgo contrata CVPar para venda a toque de caixa
Em apuro financeiro e reputacional, a securitizadora Virgo mandatou a assessoria financeira CVPar para encontrar um comprador o mais rápido possível, apurou o Pipeline. A intenção é que Marcão Gonçalves traga uma proposta não vinculante até sexta-feira, disseram fontes com conhecimento do assunto, para que outra instituição assuma o controle e a gestão da empresa.
Ao menos cinco potenciais interessados têm avaliado a companhia, incluindo Reag e Pátria, apurou o Pipeline. Para esse grupo, é uma oportunidade de comprar o negócio com desconto – mas ainda estão avaliando os riscos, o que vai constar num eventual contrato. A Virgo é a segunda maior securitizadora do país, com mais de 900 operações.
O planejamento foi passado ontem pelo fundador da Virgo, Ivo Kos, a gestores que têm papéis de séries da securitizadora. Ele recebeu em sua casa representantes de firmas como XP, BTG, RBR e Iridium, segundo fontes que participaram do encontro. Foi o segundo encontro com gestores desde o estouro da crise: na semana passada, Kos esteve com um grupo numa reunião na XP. Naquela ocasião, não mostrou resistência em se afastar da gestão da operação até que haja uma mudança societária.
Agora, a conversa mudou um pouco. O entendimento é que repassar a gestão vai levar mais tempo e adiar uma solução definitiva para a Virgo, e que focar numa venda – que aí sim o novo dono assuma a administração – é o caminho para restaurar a confiança que os gestores precisam.
O estopim da Virgo foi o documento de um ex-diretor da companhia enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre suposto uso indevido de recursos de fundos de reservas de Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRI) e (CRA) para pagar outra emissão, que deveriam estar aplicados em ativos com liquidez. Na reunião com gestores, uma das alegações da Virgo foi que a prática também é adotada em outras casas do segmento.
Instituições como XP e Itaú cancelaram operações que tinham com a Virgo na última semana. Na oferta de R$ 700 milhões em CRIs da Brasil Terrenos, a XP informou com os outros coordenadores – Bradesco BBI, ABC e Itaú BBA – a troca da Virgo pela Opea como securitizadora, assim como a mudança no cronograma do pagamento dos títulos que lastreiam o título e da data da oferta.
Segundo a denúncia do ex-head de IB da Virgo, Eduardo Levy, enviada à CVM na semana passada, a Virgo estaria utilizando indevidamente recursos de fundos de reserva de CRIs e CRAs. A autarquia abriu processo para investigar o caso.
O caso levou outros gestores e agentes do mercado a pedirem extratos das operações não só para a Virgo como para outras securitizadoras. Por enquanto, o caso da Virgo é visto como isolado. A sócia-fundadora e diretora de produtos da Vert, Victoria de Sá, acredita que o caso deve levar a uma maior supervisão da saúde financeira das securitizadoras. Ela lembra que a Resolução nº 60 da CVM instituiu processos e controles internos para assegurar a governança dessas companhias.
Procurada pelo Pipeline, a Virgo não comentou. Em um comunicado a mercado na semana passada, a companhia já havia sinalizado a busca por um comprador… leia mais em Pipeline 26/08/2025

