Xampla capta US$ 14 milhões para substituir 10 bilhões de plásticos descartáveis
A Xampla, startup britânica conhecida por criar materiais sustentáveis plant-based, acaba de captar US$ 14 milhões em uma rodada Série A, elevando o total de recursos obtidos pela empresa para US$ 17,6 milhões.
O aporte foi liderado pela Emerald Technology Ventures, BGF e Matterwave Ventures, com participação de investidores que já apoiavam a companhia, como Amadeus Capital Partners e Horizons Ventures.
Com esse novo capital, a Xampla pretende substituir até 10 bilhões de unidades de plástico de uso único até o fim da década, em produtos como caixas de delivery, copos de café e sachês.
“Esse investimento é um voto de confiança na nossa proposta de substituir plásticos poluentes. Ele vai nos permitir crescer no Reino Unido, na Europa e também expandir para a Ásia-Pacífico”, afirmou Alexandra French, CEO da Xampla.
Tecnologia com base em proteínas vegetais
A Xampla nasceu como um spin-off da Universidade de Cambridge, fundada por Tuomas Knowles, Marc Rodriguez Garcia e Simon Hombersley. A empresa desenvolve materiais totalmente livres de plásticos e PFAS a partir de proteínas regenerativas extraídas de plantas como ervilha, batata, colza, girassol, além de insumos de correntes de resíduos.
O produto de destaque é o Morro Coating, um revestimento seguro para contato com alimentos que substitui plásticos derivados de petróleo ou de fontes renováveis. Ele oferece alta resistência contra oxigênio e água, sem comprometer a reciclabilidade do papelão e mantendo propriedades de barreira contra gordura e umidade.
A linha Morro inclui ainda filmes biodegradáveis e compostáveis em casa — como aqueles que podem envolver macarrão instantâneo que se dissolve em água quente, balas embaladas sem plástico, além de cápsulas solúveis para lavanderia e lava-louças.
Outro foco da startup são as microcápsulas desenvolvidas para substituir microplásticos usados em produtos de limpeza doméstica, cosméticos, fragrâncias e agroquímicos.
O impacto ambiental em jogo
A urgência por soluções como a da Xampla se explica: 90% da poluição plástica vem de produtos descartáveis, e o setor de plásticos responde por 3,4% das emissões globais. Apenas 9% dos 430 milhões de toneladas de resíduos plásticos gerados anualmente são reciclados, enquanto o restante se acumula em aterros ou se fragmenta em microplásticos que contaminam solos e oceanos.
Diante desse cenário, Reino Unido, Califórnia e União Europeia já avançam em legislações para banir plásticos de uso único. Os materiais Morro, por serem compostáveis e seguros, estão isentos da Diretiva Europeia de Plásticos de Uso Único, o que os torna ainda mais atraentes para grandes marcas de consumo.
Parcerias globais para escalar o impacto
“Já provamos para investidores e para grandes marcas que os materiais Morro são a solução real para deixar o plástico no passado. Nossa meta é que eles se tornem a escolha número um no mundo todo”, destacou a CEO.
Os materiais da Xampla são projetados para se integrar facilmente às linhas de produção já existentes, sem exigir grandes investimentos adicionais por parte das indústrias, o que acelera a adoção.
A empresa já colabora com gigantes como 2M Group of Companies, Huhtamaki e Transcend Packaging, além de ter testado com a Bunzl Catering Supplies e a Lieferando (braço alemão do Just Eat Takeaway), que chegou a distribuir caixas de delivery livres de plástico em cidades como Hamburgo, Munique e Essen.
No segmento de higiene e cosméticos, a Xampla trabalha com multinacionais de bens de consumo e fragrâncias para substituir microplásticos em perfumes e produtos de cuidados pessoais.
Um setor em ebulição
A Xampla faz parte de uma nova geração de startups de embalagens sustentáveis que vêm atraindo capital e parcerias estratégicas. Em 2023, a britânica Notpla captou US$ 26,8 milhões para sua solução à base de algas e lançou um suporte de bebidas sem plástico em parceria com a Compass Group. Já a alemã Vytal Global captou US$ 8,7 milhões para levar suas embalagens retornáveis ao mercado norte-americano.
O movimento mostra que a transição para embalagens livres de plástico deixou de ser tendência e já é um caminho inevitável para o futuro do consumo… leia mais em VeganBusiness 16/09/2025

