As medidas protecionistas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão provocando uma desarranjo na economia global, construída ao longo de décadas com base em acordos internacionais. A avaliação é do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que vê nas ações do líder americano uma possível tática de negociação.

“As medidas do Trump estão desequilibrando esse processo histórico. Mas que são quase como um processo político de pôr o problema para ser rediscutido. Eu entendo assim. Isso é um tema muito complexo. Talvez uma das perguntas mais difíceis de responder é saber qual é o real objetivo que Trump tem com isso”, disse Gerdau em entrevista ao Valor, durante evento da Junior Achievement, ONG de educação, na quinta-feira (8), do qual o empresário é o primeiro grande incentivador no Brasil.

A fala de Gerdau veio pouco antes dos governos dos EUA e do Reino Unido anunciarem o primeiro acordo na guerra tarifária que afeta o mundo todo. Pelo pacto firmado, na última quinta-feira, as montadoras britânicas terão uma cota de 100 mil carros com uma alíquota de 10% ao invés dos 25% anunciados inicialmente por Trump. Na sexta-feira, o presidente americano deu um novo recuo afirmando que uma tarifa de 80% com a China “parece ser a correta”. No momento, a alíquota é de 145%.

A situação é similar ao que ocorreu no setor siderúrgico em 2018, quando Trump estava em seu primeiro mandato como presidente dos EUA. Na ocasião, os governos de Estados Unidos e Brasil renegociaram o estabelecimento de cotas de exportação para o mercado americano de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados/placas e de 687 mil toneladas de laminados. A medida flexibilizou decisão anterior de Trump que havia estabelecido alíquota de importação de aço para 25%.

Nos últimos anos, a tarifa estava em 10%. A decisão de Trump agora eleva a alíquota a 25% para todo o setor de siderurgia brasileiro. Gerdau explicou que o setor está em negociações com o governo brasileiro, mas ainda não é possível mensurar os impactos da medida. O desafio do setor é mostrar ao governo dos EUA que o aço brasileiro desempenha um papel complementar na sua indústria… saiba mais em Valor Econômico 10/05/2025