Análise: Fusões e aquisições no setor de energia iniciam 2025 aquecidas, mas incertezas desafiam o ritmo
Apesar das incertezas que rondam a economia brasileira, com cenário de juros mais altos e flutuação do câmbio, além das tensões geopolíticas intensas reforçadas pela gestão de Donald Trump, as transações envolvendo fusões e aquisições no setor de energia no Brasil começaram aquecidas em 2025.
A notícia antecipada em primeira mão pelo Valor de que a Neoenergia estava negociando a venda de uma hidrelétrica no Paraná se confirmou com o anúncio de que a francesa EDF pagou R$ 1,43 bilhão pelo ativo. Em janeiro, a Gerdau anunciou a compra de duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), Garganta de Jararaca e Paranatinga II, no Mato Grosso, por R$ 440 milhões.
Além disso, as negociações pela venda de outras duas hidrelétricas da EDP no Amapá estão em fase final e serão anunciadas nos próximos dias, o que mostra um crescente interesse de investidores por um tipo de ativo de geração estável e previsível, principalmente frente aos entraves ambientais que impedem a implantação de novos potenciais hidrelétricos, especialmente na região Amazônia.
Essa tendência já vinha acontecendo em 2024, com o interesse de vários grupos, como a Âmbar, braço de energia da J&F, que arrematou quatro hidrelétricas da Cemig em leilão realizado no fim de 2024.
Quem acompanha o setor elétrico pode esperar um grande movimento no mercado de energia solar. A portuguesa EDP colocou à venda dois grandes complexos em São Paulo. Segundo a Greener, empresa de inteligência de mercado, o volume de fusões e aquisições no setor cresceu 76% em 2024 em comparação a 2023.
No entanto, o mercado avalia que o cenário de 2025 pode ser mais difícil para a EDP encontrar compradores, já que os cortes na geração de energia eólica e solar impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), prática conhecida como “curtailment”, estão elevando a percepção de risco sobre as empresas de energia renovável no Brasil.
A expectativa é que novos movimentos no setor elétrico venham a acontecer ao longo do ano. Um tema recorrente que voltou ao noticiário é a possível fusão entre Isa Energia (antiga Cteep) com a Taesa, o que poderia transformar o setor de transmissão de energia no Brasil, criando uma das maiores empresas do segmento. Procurada, a Isa não comenta. Em nota, a Taesa disse que não tem conhecimento da origem da especulação e, consequentemente, não comenta sobre qualquer operação que envolva a companhia.
No setor de óleo e gás, a Azevedo e Travassos Energia anuncia emissão de ações e ingresso na B3. A operação tem .. saiba mais em Valor Econômico 09/02/2025

