As três startups brasileiras que serão aceleradas pela Amazon
A Amazon Web Services (AWS), empresa de serviços de nuvem da Amazon, escolheu três startups brasileiras para participar da terceira edição do programa global de aceleração da big tech, o Generative AI Accelerator (Gaia). O trio de tupiniquins selecionadas, em meio a um grupo de 40 no mundo todo (e cinco da América Latina), são a AI Cube, a Dharma AI e a Forlex.
Cada uma receberá US$ 1 milhão em créditos na AWS e será acompanhada durante oito semanas por especialistas técnicos e de negócios da gigante da tecnologia. “Qualquer uma dessas empresas executa muito bem o trabalho, então nosso objetivo é apenas entender como a AWS pode ajudar para que elas acelerem do ponto A para o B, aprendendo, errando em coisas diferentes, vendo acertos dos outros”, explica Karina Lima, chefe de startups da AWS no Brasil.
As startups têm chegado à AWS mais maduras em termos de negócio, diz a executiva, que atribui ao fim de uma fase mais “experimental” da IA com a chegada do ChatGPT e a popularização da tecnologia generativa. “A demanda está mais definida e as startups conseguem entender melhor como aportar valor mais rapidamente”, diz.
No Brasil, as três selecionadas têm até dois anos de operação. Com 10 meses, a Dharma AI foi criada por Gabriel Renault e outros cinco sócios para desenvolver SLMs: specialized language models ou small language models. Ao contrário dos LLMs (large language models), mais generalistas, esses são desenhados para atender a indústrias específicas, com menor custo para o cliente e menor consumo energético.
A startup avalia que o programa pode ajudar também na aproximação e abordagem a fundos de venture capital – a Dharma AI levantou uma rodada seed de R$ 15 milhões em janeiro e agora prepara uma série A. “A AWS vai ajudar a lapidar a visão de negócios, ao mesmo tempo em que vai nos adequar ao jogo global de tecnologia. Temos uma expectativa altíssima”, diz Renault.
Já a AI Cube, fundada há pouco mais de um ano, desenvolveu o Qube, um operador de softwares de computador a partir de comandos no estilo ChatGPT. Conforme os fundadores Bruno Ramos e Garry Dias, trata-se de criar sistemas de “força de trabalho sintética”, já que é possível programar, editar vídeos, preencher planilhas e acessar sites sem sequer um clique de mouse feito por um humano.
“A AI Cube nasceu por preguiça”, brinca Bruno Ramos, CTO e cofundador. “Nosso primeiro lançamento foi criado para acelerar um processo de entrega para um cliente, mas ele se interessou mais pelo processo do que pela entrega final.”
O programa da AWS deve dar uma força na penetração de mercado, já que a AI Cube vai conseguir colocar o seu produto na loja global da AWS. A startup teve US$ 1,2 milhão em receita nos primeiros seis meses de operação e a expectativa é fazer US$ 18 milhões em receita anual recorrente (ARR) até o próximo ano.
Com a AWS, a expansão global também está no caminho da Forlex, legaltech brasileira que automatiza tarefas para o setor jurídico. O modelo da empresa é adaptado para o setor jurídico do Brasil, entendendo jurisprudências e referências da área. Em agosto, seu sistema passou a ser utilizado pela OAB, ampliando o alcance do produto para os advogados do país.
“A aceleração vai permitir que a gente atue na Europa e EUA, onde nosso concorrente é muito grande e capitalizado, então vamos primeiro para Reino Unido, Portugal, França, Alemanha e Holanda”, diz Daniel Bichuetti, co-CEO e CTO da Forlex.
Para o próximo ano, a startup espera atingir o breakeven e partir para uma rodada de até US$ 20 milhões. No ano passado, levantou R$ 3,6 milhões com a Vinci Ventures. “Estamos focados em gerar receita para depois fazer um processo de captação mais demorado”, diz o fundador… leia mais em Pipeline 07/10/2025

