O cenário externo está mais adverso e incerto, especialmente devido ao tarifaço. A máxima, que já é certeza entre os investidores há algum tempo, foi reforçada pelo Banco Central na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (5). O colegiado afirmou que deve manter uma postura de cautela. Trocando em miúdos: os juros devem continuar altos por algum tempo.

“A elevação das tarifas para o Brasil tem impactos setoriais relevantes e agregados ainda incertos”, disse o Copom. “O Comitê acompanha com atenção possíveis impactos sobre a economia real e ativos financeiros”, complementou.

Segundo o Comitê, após o ciclo de elevação dos juros, a estratégia será manter o ciclo interrompido para observar os efeitos de uma Selic mais elevada na economia.

“Ressaltou-se que, determinada a taxa apropriada de juros, ela deve permanecer em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado devido às expectativas desancoradas”, diz o documento. “O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, completa o BC.

Cenário interno melhora, mas ainda preocupa

Segundo o BC, há uma certa moderação de crescimento n oBrasil. Para quem não se lembra, a atividade pujante era uma preocupação latente da autoridade monetária. Afinal, uma economia aquecida tende a trazer consigo mais pressões inflacionárias. Agora, no entanto, a situação parece arrefecer, apesar das expectativas de inflação no futuro continuarem acima da meta.

“O cenário de inflação seguiu apresentando surpresas baixistas no período recente, mas manteve-se com inflação acima da meta”, afirmou o BC. “A desancorarem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê”, complementou.

Essas “expectativas desancoradas” são as projeções da inflação distantes da meta perseguida pela autoridade monetária no chamado “horizonte relevante” da política monetária. Neste caso, 2025 em diante. Nos próximos anos, a meta de inflação é de 3% ao ano, mas segundo o que mostra o Boletim Focus, as expectativas dos economistas para 2025 ainda estão bem acima disso.

Essas expectativas importam por terem certo poder de autorrealização. Ao esperarem inflação mais alta lá na frente, produtores acabam remarcando preços para cima para se proteger da alta de custos. Já consumidores antecipam intenções de compra.

E, na prática, essa inflação esperada mais alta pode acabar se materializando. Nesse cenário, se o BC afrouxa a política de juros, corre o risco de passar a impressão de inflação ainda mais descontrolada no futuro.

“O Comitê seguirá acompanhando o ritmo da atividade econômica, fundamental na determinação da inflação, em particular da… leia mais em em Valor investe 05/08/2025