O Banco Central Europeu (BCE) voltou a cortar os juros, como era amplamente esperado pelo mercado. A taxa de depósito foi cortada em 0,25 ponto percentual, para 2,25%. A decisão foi anunciada às 10h15 de Brasília desta quinta-feira (17).

A taxa de refinanciamento foi cortada de 0,25 ponto percentual, de 2,65% para 2,40%. Já a taxa de empréstimo foi de 2,90% para 2,65%.

Em seu comunicado, a autoridade monetária falou sobre o aumento das incertezas econômicas no cenário global e tornou a dizer que suas próximas decisões dependerão dos dados econômicos. “Especificamente, as futuras decisões sobre juros serão tomadas com base na avaliação da trajetória da inflação à luz dos dados econômicos e financeiros disponíveis, da evolução da inflação subjacente e da força de transmissão da política monetária”, apontou o BCE , que disse não assumir um compromisso antecipado “com nenhum caminho específico para as taxas de juros”.

Como isso mexe com o Brasil?

Primeiro é preciso entender que quando os juros estão altos em regiões e países considerados mais seguros (caso dos países da zona do euro), os investidores tendem a migrar ou manter seu capital alocado nesses mercados. Isso porque os ativos de renda fixa deles passam a oferecer um retorno maior, uma vez que sua rentabilidade está atrelada à taxa de juros. De quebra, esses mercados ainda oferecem mais segurança do que os emergentes, por exemplo. Com isso, os ativos e mercados considerados mais arriscados (como o Brasil) perdem sua atratividade.

No entanto, quando os juros caem em países desenvolvidos, os investidores podem buscar alternativas que ofereçam maior rentabilidade, mesmo que isso inclua um pouco mais de risco. Assim, mercados como o brasileiro podem acabar sendo um destino.

O Brasil, por outro lado, está no caminho oposto. O Banco Central voltou a aumentar a Selic, que atingiu 14,25% ao ano, e sinalizou que novas altas ainda devem acontecer.

No entanto, analistas destacam que é preciso que o governo faça “o dever de casa” para que o Brasil se posicione como um destino escolhido pelos investidores estrangeiros. Isso significa, portanto, cuidar da questão fiscal, um entrave que ainda segue longe de resolução.

Uma pedra americana no meio do caminho

Atualmente há, ainda, um outro detalhe importante: os Estados Unidos. Assim como na Europa, o país vinha diminuindo gradativamente seus juros, que antes estava em patamares recordes. O problema é que agora com o tarifaço e a guerra comercial promovidos por Donald Trump, o ciclo dos juros tomou outro rumo por lá. Não à toa, o Fed manteve os juros nos mesmos patamares em suas duas últimas reuniões.

Ontem (16), Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deixou claro que os efeitos da política comercial vão afastar os Estados Unidos de suas metas. Trocando em miúdos: a inflação vai subir, o que pode exigir juros maiores.

Trump, por sua vez, não deixou por isso mesmo. O presidente norte-americano afirmou que o banco central americano deveria reduzir a taxa de juros e disse que a demissão de Powell “não poderia vir rápido o suficiente”…. leia mais em valorinveste.globo. 17/04/2025