CEO da Azul: Se tiver oportunidade de fusão com Gol ou outra, ‘claro que vamos buscar’
Em entrevista ao Dinheiro Entrevista, programa do site IstoÉ Dinheiro com presidentes de empresas e grandes personalidades da economia, o CEO da Azul, John Rodgerson, sinalizou que fusões com companhias aéreas rivais podem ser benéficas. Desde que a Gol pediu recuperação judicial, em janeiro, ambas as companhias mantém diálogo sobre uma possível fusão.
Mesmo deixando claro não estar “anunciando nada” e que “temos que esperar”, o executivo da Azul disse ao Dinheiro Entrevista que é natural empresas se juntarem “para ficarem mais fortes”, a exemplo de megafusões ocorridas nos Estados Unidos, como as da American Airlines e da United e Continental.
“Sempre tem conversa. Nós temos a responsabilidade de olhar para todas as oportunidades que existem. Mas estou muito confiante na Azul, especialmente depois de toda essa reestruturação que fizemos. A Azul sozinha é uma ótima oportunidade. Mas se tiver oportunidade para fazer alguma coisa com Gol ou com outro, claro que vamos buscar isso. Vejo que tem muitas sinergias e oportunidades para fazer muita coisa bacana, mas temos que esperar”, afirmou Rodgerson, que é americano e está no Brasil desde a fundação da Azul, a qual participou.
O diálogo sobre uma eventual fusão entre Azul e Gol teria ganho forças após a linha aérea comandada por John Rodgerson ter avançado na negociação com credores para reestruturação das suas dívidas. Em paralelo, na Gol, a expectativa é de deixar o Chapter 11 no início de 2025, conforme previsão dada pelo CEO da companhia, Celso Ferrer, em meados de junho.
“O Brasil tem desafios, mas tem oportunidades. Quando você vê o desafio do dólar a R$ 6, da judicialização, o custo de capital mais caro, você tem visto o que os outros países do mundo fizeram. A American Airlines hoje são empresas diferentes que decidiram se juntar para se fortalecer”, disse o CEO.
“Às vezes, se juntando fica mais forte, reduz custo de capital, aumenta conectividade, da oportunidade para comprar peças, combustíveis; tudo fica mais barato. E quem se beneficia disso é o cliente. Quando você está voando, em Atlanta, em Dallas, ninguém fala ‘Olha a American Airlines domina esse terminal’. Eles são felizes da vida porque através da American Airlines você pode conectar o mundo em Dallas”, completou.
‘Somos a única que não entrou em recuperação judicial’
John Rodgerson garantiu também que, internamente, a companhia jamais cogitou um pedido de recuperação judicial.
Em meados de agosto, uma notícia de bastidores havia citado que a empresa mantinha na mesa a opção de um Chapter 11 – como é conhecido o procedimento de recuperação judicial nos Estados Unidos. Todavia, o CEO da Azul nega que a empresa tenha cogitado isso, e que somente dialogou com seus credores para reestruturar suas finanças.
“Foi engraçado [sobre boato de Chapter 11]. Nunca pensamos em fazer isso, mas o mercado é assim mesmo, tem muito boato. Nós já estávamos falando com nosso credores para fazer algo amigável e o mercado ficou assustado pensando que iríamos fazer uma recuperação judicial. O mercado estava errado, passamos sem ter que fazer isso”, disse.
“Uma coisa que tenho orgulho é de dizer que somos a única linha aérea da história do Brasil que não entrou em recuperação judicial. Gol, Latam, VASP, WebJet, todas passaram por isso. Nós tivemos que fazer algo estrutural, estamos tirando R$ 6 bilhões de dívida do balanço, que irá virar equity [ações]”, destacou o CEO.
O executivo reafirmou a promessa já feita ao mercado que em 2025 a companhia voltará a gerar caixa de novo, a primeira vez em cinco anos. A empresa está listada na B3 desde 2017 e está avaliada atualmente em cerca de R$ 1,4 bilhão. Antes da pandemia, chegou a ter um valor de mercado em R$ 5 bilhões.
‘Cheguei ao Brasil quando o dólar era R$ 1,58’
Rodgerson mora há 16 anos no Brasil e lembra que quando chegou ao país, o dólar estava cotado a R$ 1,58.
Ele destaca que no setor aéreo muitos dos custos são dolarizados, o que faz com que a desvalorização do real impacte diretamente a operação. “Temos o combustível mais caro do mundo”, diz o executivo, que defende uma mudança na política de preços da Petrobras para combustíveis de avião.
“Todo mundo quer tarifa mais baixa, mas é preciso ter custos mais baixos, tem que ter combustível mais barato”, afirma o CEO.
Segundo ele, um preço de combustível mais baixo incentivaria aéreas a oferecer mais voos e, consequentemente, o turismo doméstico.
“Acho triste que passamos uma década sem crescer o mercado [de aviação] no Brasil. A empresa cresceu, mas o mercado em si não cresceu. O brasileiro ainda viaja muito pouco, muito menos que colombiano, chileno, mexicano. E isso é ruim para o Brasil”.
Azul não existiria sem o mercado financeiro… leia mais em ISTOÉ Dinheiro 18/12/2024

