Com quase duas décadas de história, a KPTLvivenciou os altos e baixos de investir em venture capital no Brasil. Por isso, apesar de indícios de que a taxa de juros poderia chegar a 15% em 2025, a gestora afirmou ao fim de 2024 que o novo ano seria de colheita, com 10 saídas do portfólio. Até o momento, quatro desinvestimentos foram feitos – o mais recente aconteceu em setembro, com a venda da CHP Brasil para o Grupo WLM, distribuidora da marca de motores e veículos automotores Scania.

Ainda que outras situações tenham impactado o cenário macroeconômico, gerando insegurança no ecossistema, Renato Ramalho, CEO da KPTL, acredita que o apetite para M&As não arrefeceu ao longo de 2025.

“Mais duas ou três saídas devem ser concluídas até dezembro. Temos hoje cerca de 20 empresas em estágio adequado para venda. O cenário é muito melhor do que no passado: as companhias estão mais maduras, bem governadas e, por isso, mais vendáveis”, declara Ramalho, em entrevista exclusiva a PEGN.

Números comprovam que o mercado de M&As de tecnologia está aquecido no país. O relatório M&A Deals Report 2025 H1, da Questum, aponta que as movimentações cresceram 71,1% no primeiro semestre do ano, em comparação com o período no ano passado. As operações representam 72,45% de todas as transações de 2024.

“O juro a 15% realmente é um freio de mão duro, mas o investidor que tem capital disponível percebe que, se esperar a liquidez voltar, os preços dos ativos sobem. Então, ele antecipa compras agora”, explica.

As saídas realizadas até agora foram variadas: desde a venda integral da companhia até a venda apenas da participação da gestora. Para ele, o importante é manter o ritmo de desinvestimentos em paralelo a novos aportes. “Não posso investir em 10 e desinvestir de três porque começarei a acumular ativo”, ressalta. Em 2023, a carteira contava com 55 investidas e, em 2024, chegou a 70 startups – atualmente, são 69. No ano passado, a receita bruta das investidas somava R$ 919 milhões.

Segundo o CEO, a relação entre investidores e empreendedores evoluiu. Antes cercada de tabus, a conversa sobre o momento certo de vender a empresa hoje é tratada de maneira mais profissional. “O empreendedor já entende que, ao receber investimento, em algum momento vai haver uma saída. Claro que pode haver negociação sobre esperar o melhor momento, mas não existe mais aquela resistência que havia anos atrás”, avalia.

A KPTL nasceu em 2019, da fusão entre a A5 Capital Partners com a Inseed, que por sua vez surgiu do Instituto Inovação, fundado em 2002 no modelo de venture builder. Com sede em São Paulo, a gestora tem foco nos setores de agronegócio, saúde, floresta, clima, energia e IoT.

Em julho, a KPTL realizou o Bioeconomy Amazon Summit 2025, em Manaus (AM), e prospectou potenciais investidas na região para o novo fundo Amazonia Regenerate Accelerator and Investment Fund, estruturado com apoio do BID Lab, laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e que tem como objetivo fomentar a bioeconomia em sete países de influência da Floresta Amazônica: Brasil, Equador, Bolívia, Peru, Colômbia, Guiana e Suriname. A expectativa é lançar o fundo, que investirá até US$ 30 milhões (cerca de R$ 160 milhões) e duração de oito anos, até a COP30, que ocorre entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA)…. leia mais em pegn 02/10/2025