Embora acredite que a intenção do governo com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não tenha sido fazer um controle de capitais, e sim aumentar a arrecadação, o sócio e diretor de investimentos (CIO) da Legacy Capital, Felipe Guerra, alerta que haverá um impacto relevante sobre as empresas, que sofrerão um aperto de crédito importante, que pode equivaler de uma a duas altas na taxa de juros. “A intenção parece ser a de aumentar a arrecadação, mas não conseguem dar uma notícia boa sem dar uma ruim…”

Acredito que, no câmbio, a intenção era, de fato, arrecadar, não a de fazer um controle de capitais. Foi em linha com a mentalidade de ‘Robin Hood’ do Ministério da Fazenda, só que de forma atabalhoada. E, do lado do crédito, fica um aperto importante sobre as empresas que irá afetar o setor varejista e as pequenas e médias empresas”, diz Guerra. Para ele, embora o governo tenha voltado atrás em parte das medidas, a condição de crédito mais apertada à frente ficou, o que pode contribuir para uma desaceleração adicional da economia doméstica.

A postura do Banco Central no caso do IOF é avaliada como “excelente” por Guerra, ao apontar que a diretoria e o presidente Gabriel Galípolo “tiveram papel importante na reversão das medidas por terem atuado contra elas”. “É um episódio que mostra a força da institucionalidade do país e que mostra como foi positiva a aprovação da autonomia do Banco Central, ainda mais com um Ministério da Fazenda que está atirando para todos os lados…O BC sai fortalecido desse episódio e com mais credibilidade, enquanto a Fazenda ficou arranhada com as medidas caóticas.”… leia mais em Valor Econômico 23/05/2025