O ligeiro aumento de 0,1% da produção industrial brasileira em junho, conforme mostrou a Pesquisa Industrial Mensal – produção física (PIM-PF), é “pouco”, reflete o conturbado cenário econômico que atravessamos e, com isso, as “previsões para o setor não são animadoras.” É o que analisa o diretor de economia da Confederação Nacional das Indústrias

O dado só reforça o momento ruim que atravessamos na indústria brasileira. Trata-se de um crescimento muito pouco, que veio após sucessivas quedas”, explica.

Em junho, a produção industrial avançou abaixo do esperado pelo mercado. Frente a junho de 2024, houve queda de 1,3% na produção, enquanto o acumulado do ano alcança 1,2% e, nos últimos 12 meses, 2,4%.

O avanço no mês foi disseminado entre 17 dos 25 ramos industriais pesquisados, com destaque para a produção de veículos, que avançou 2,4%. Na ponta negativa, o destaque foi o recuo de 1,9% nas indústrias extrativas e de 2,3% nos combustíveis e de 1,9% de produtos alimentícios.

Telles frisa que no primeiro semestre a indústria praticamente não teve crescimento. E o mais grave, em sua análise, é que o consumo por produtos industriais continua crescendo no Brasil. “Estamos andando de lado em um momento que a demanda ainda está crescendo.”

O economista explica que não pode haver realocação para o mercado interno dos bens que eram exportados aos Estados Unidos, pois “trata-se de produtos que já são importados.”

Minoração dos efeitos do tarifaço

Para ele, o plano de contingência anunciado pelo governo federal é fundamental para conter os danos do tarifaço. “O governo tem demonstrado preocupação com o setor industrial desde o lançamento do programa Nova Indústria Brasil e o Plano Brasil Mais Produção”, afirma. “Isso é muito importante, pois trata-se de uma questão estrutural. O problema é que as questões conjunturais têm dificultado esse … saiba mais em Valor Econômico 01/08/2025